Empresas de finanças ampliam domínio sobre agronegócio

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Colheita de soja (foto da ABr, arquivo)
Colheita de soja (foto da ABr, arquivo)

As maiores companhias que atuam no agronegócio mundial aumentaram seu domínio do mercado, mostra a edição 2022 do levantamento Food Barons, produzido pela ONG ETC Group. Foram examinadas as principais corporações que controlam os 11 principais setores industriais agroalimentares: sementes, agroquímicos, genética pecuária, fertilizantes sintéticos, máquinas agrícolas, produtos farmacêuticos para animais, comerciantes de commodities, processadores de alimentos, carnes, varejo de mercearia e entrega de alimentos, com base nos números de vendas de 2020.

Muitos setores agroalimentares são agora controlados por apenas três a seis empresas dominantes, permitindo que essas corporações exerçam enorme influência sobre mercados, pesquisa agrícola e desenvolvimento de políticas, o que mina a soberania alimentar, explica o ETC.

Quatro empresas (Sygenta, Bayer, Basf e Corteva) controlam 62% do mercado mundial de agroquímicos: as seis maiores controlam 78% do mercado. Três empresas multinacionais (EW Group, Hendrix Genetics e Tyson Foods) controlam 100% da genética comercial de aves. Duas empresas (Grupo Syngenta e Bayer) controlam 40% do mercado de sementes comerciais.

A ETC chama a atenção para a integração horizontal, incluindo o crescente envolvimento de empresas de gestão de ativos nos setores de alimentos e agricultura – o que cria uma aparência de concorrência, mas diminui a competição real.

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Food Barons 2022 também revela como as principais empresas de finanças estão no comando do sistema comercial de alimentos. Blackrock, State Street e Vanguard, as gestoras de ativos gigantes, mantêm as maiores participações acionárias em muitas das principais empresas.

A ONG defende que reguladores anticoncorrência devem desenvolver novos mecanismos para entender e restringir os poderes de cadeia cruzada e exigir mais transparência entre private equity e outros atores corporativos.

O ano de 2020 foi terrível para a segurança alimentar e a saúde, mas uma bonança para as grandes corporações dos alimentos. Os dados não abrangem 2021 e 2022, que trouxeram resultados ainda superiores para as companhias, em detrimento dos consumidores.

Uma tendência confirmada pelo estudo é a crescente presença de empresas asiáticas, especialmente chinesas, que aparecem no Top 3 de agroquímicos, sementes e comércio de commodities.

O Brasil aparece no topo de carnes, com a JBS; no mesmo setor, a Marfrig está em 5º, e a BRF, em 9º. A JBS se destaca também em bebidas e alimentos e industrializados, na 3ª posição, atrás de Pepsico (EUA) e Nestlé (Suíça). Em entrega de alimentos, a brasileira iFood aparece no 7º lugar.

A ETC destaca que os pequenos agricultores (chamados pela ONG de camponeses) alimentam o equivalente a 70% da população mundial usando menos de 30% da terra, água e recursos agrícolas do mundo.

 

O top 3 em cada setor mais concentrado
  • Agroquímicos

ChemChina, Bayer e Basf (ambas alemãs) = 50,9% do mercado

  • Sementes

Bayer, Corteva (EUA) e ChemChina = 47%

  • Máquinas agrícolas

Deere (EUA), Kubota (Japão) e CNH (Reino Unido e Holanda) = 36%

  • Medicamentos veterinários

Zoetis e Merck (ambas EUA) e Boehringer (Alemanha) = 47,5%

  • Comércio de commodities

Cargill (EUA), Cofco (China) e ADM (EUA) = 57,3%

  • Carnes

JBS (Brasil), Tyson Foods e Cargill (ambas EUA) = estudo não revela percentual

Fonte: ETC Group

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