Encargos disparam no Mercado Livre de Energia e superam valor do PLD

Valor no curto prazo não é suficiente para remunerar as termelétricas.

Em um momento singular na história do Mercado Livre de Energia do Brasil, pela primeira vez os encargos referentes ao mês de outubro passado foram superiores ao PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) de novembro. A constatação é do Grupo Safira, um dos principais do ecossistema de energia do país, que ainda acredita que os encargos de novembro devem ser menores em relação ao mês anterior, mas ainda em patamares muito elevados e acima do PLD, encarecendo a conta de luz dos grandes consumidores de energia que atuam no Brasil.

“O que estamos observando é que o PLD vem caindo nos últimos meses devido a melhora das condições hídricas, algo que não necessariamente reflete o atual momento do mercado, mas o ONS (Operador Nacional do Sistema) mantém grande parte do despacho fora da ordem de mérito, permanecendo as usinas mais caras em operação. Esse movimento faz com que o Encargo por Segurança Energética dispare, pois o valor recolhido através do PLD não é suficiente para remunerar essas usinas mais caras”, explica Raphael Vasques, coordenador de Inteligência de Mercado do Grupo Safira.

No Brasil, as usinas são despachadas a partir da chamada “ordem de mérito”, ou seja, das usinas de geração mais baratas até as mais caras. O valor do MWh dessas usinas pode variar de R$ 40/MWh até R$ 2.000/MWh. Geralmente, as hidrelétricas são as mais baratas, e as mais caras são as termelétricas. “Neste sentido, o ONS deve tomar a decisão de despachar as usinas na ordem de acordo com a disponibilidade dos reservatórios e com a previsão de chuvas, mas ainda as termelétricas estão prevalecendo e encarecendo a operação”, observa ele.

O significativo volume de chuvas dos últimos dias – resultado do aumento do nível dos reservatórios das hidrelétricas e da queda do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) – chegou a amenizar o cenário pessimista da crise hídrica e fez abrir uma janela importante de contratação de energia aos consumidores livres para 2022 e 2023.

“Temos uma janela interessante para contratação de energia futura por parte dos consumidores livres, mesmo com essa questão dos encargos altos neste momento. Os encargos devem reduzir seu impacto no futuro com a real melhora dos reservatórios das hidrelétricas”, pondera Vasques.

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