Encerramos a série Trentino-Alto Adige com sua porção mais meridional, próxima de Trento

Espumante Trento DOC Método Clássico e Teroldego Campo Rotaliano são destaques.

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Treliças de Trentino
Treliças de Trentino

Encerro com este artigo a série sobre regiões vitivinícolas do extremo norte da Itália, explorada em detalhes ao longo de quatro artigos, três anteriores a este. Antes, falamos do perfil mais genérico e dos segmentos Norte e Centro da região denominada Trentino-Alto Adige. Neste artigo, exploro a área mais ao sul, onde se encontra Trentino.

A região de Trentino, que integra a região vitivinícola Trentino-Alto-Adige da Itália, tem como capital a cidade de Trento. Ocupa a parte mais ao sul e próxima do Lago di Garda, bem como áreas em altitude mais baixas do vale do Rio Adige e vales laterais que se estendem em direção às Dolomitas. O vale do Adige é mais amplo ali, e as videiras estão plantadas nas encostas de ambos os lados. Ali se encontra uma das mais conceituadas escolas de Enologia da Itália, um dos motivos pelos quais construiu uma indústria e um movimento cooperativista fortes – cerca de 80% de sua produção é em cooperativas, com regulamentações rigorosas que asseguram um bom padrão de qualidade.

Assim como no Alto Adige, o clima alpino continental é amenizado pela proteção das Dolomitas aos ventos frios do norte, mas, neste caso, a maior proximidade do Lago di Garda e a existência de áreas mais baixas favorecem o trabalho com outras uvas que demandam mais amadurecimento, como as tintas nativas Teroldego e as uvas bordalesas. A Merlot, por exemplo, chegou à região no final do século 19, e a área de cultivo se ampliou.

Trento DOC
Espumante Trento DOC

A DOC Trentino autoriza o uso de 20 variedades de uvas, dentre as quais 74% são brancas, predominando a Chardonnay, seguida da Pinot Grigio e, em terceiro lugar, a alemã Müller-Thurgau. 26% do vinhedo é de uvas tintas, dentre elas a mais presente é a Teroldego, seguida da Merlot. A autóctone tinta Marzemino, de maturação tardia, está restrita à parte sul e outras já citadas no Alto Adige, como Pinot Nero e Lagrein, também são produzidas ali. A preponderância da Chardonnay tem uma explicação clara: é utilizada como prioritária no corte de um dos vinhos mais conceituados da região, o espumante Trento Método Clássico (Trento DOC), que pode ser enquadrado entre os melhores da Itália. Já a Pinot Grigio é um investimento estratégico importante, pois, segundo os produtores, tem amplo mercado de exportação para os EUA.

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O Campo Rotaliano é considerada a pátria da variedade Teroldego. Uma planície, localizada nas aldeias de Mezzocorona, Mezzolombardo e Grumo San Michele all’Adige, à direita do rio Adige, com adequada ventilação, luminosidade e solos de cascalho. Esta nativa gera vinhos tintos escuros e frutados e é produzida no Brasil também, já que parte dos imigrantes italianos da Serra Gaúcha vieram dessa região. Em blends, adiciona cor aos exemplares.

A DOC Teroldego Campo Rotaliano é uma das mais importantes da região e, assim como vimos sobre a tradicional viticultura praticada com a uva Schiava no Alto Adige, os vinhedos da Teroldego são tradicionalmente plantados no sistema de treliças de pérgola de Trentino – um triângulo pergolado que provoca uma sombra para proteger os vinhedos de excessiva insolação direta.

Sede da Mezzocorona
Sede da Mezzocorona

Estive na sede da Mezzacorona, cooperativa trentina fundada em 1904, matriz do grupo Gruppo Mezzarocona, que engloba produções de outras regiões vitivinícolas italianas. É uma referência para a região, uma vez que reúne 1.600 viticultores membros, que cultivam 2.800 hectares. Com instalações grandiosas, tem vários rótulos e o espumante Rotari Trento DOC ocupa um lugar de destaque. O Trentino Flavio Rotari 2014 (Milesimato) é excelente e só sai da vinícola após sete anos.

Apresenta cor amarelo ouro, acidez vibrante com perceptível mineralidade e notas de pão tostado e amêndoas. De acordo com as regras da Denominação de Origem, as uvas autorizadas para a produção do espumante Trento DOC Método Clássico são Chardonnay (principal), Pinot Noir, Pinot Bianco e Pinot Meunier. E os prazos mínimos de autólise exigidos são de 15 meses para espumantes não safrados, 24 meses para os safrados (Milesimato) e 36 meses para os rotulados como Riserva.

Muitos dos vinhos tranquilos (não efervescentes) mais interessantes levam o nome “Trentino Superiore DOC”, seguido do nome da uva no rótulo. Estes vinhos apresentam padrões de produção mais elevados. Mesmo assim, muitos produtores independentes bons preferem rotular como IGT Vigneti delle Dolomiti, categoria menos restritiva quanto a métodos de produção e que permite mais inovações.

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