Encerrando a série do Piemonte com algumas notas de degustação

Dois gigantes potentes que requerem tempo para estarem prontos a serem apreciados.

Vinho etc / 15:12 - 26 de jun de 2020

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Para encerrar a série de artigos sobre os vinhos do Piemonte, fiz uma seleção diversificada de alguns vinhos degustados entre visitas, restaurantes ou em simples paradas pitorescas no tórrido verão do Piemonte em 2019. Apesar da grandiosidade dos Barolos e Barbarescos, nem sempre a melhor pedida para petiscar, beber informalmente e acompanhar pratos mais leves terão nestes vinhos os parceiros ideais. Ao contrário, esses dois gigantes são potentes e requerem tempo para estarem prontos a serem apreciados. Produções modernas têm a preocupação de colocar os vinhos já mais aptos ao consumo quando comercializados, mas há um trabalho médio de 4-5 anos na vinícola antes da comercialização dos bons Barolos e Barbarescos DOCGs, que inclui passagens por tonéis e/ou barricas e ainda um tempo em garrafa.

Como eu disse nos outros artigos, há uma variedade de vinhos regionais muito agradáveis de explorar. Cada vinho no seu momento. Para as tardes de calor, o melhor mesmo é explorar brancos frescos e perfumados das cepas locais Arneis, Cortese e Rossese Bianco. Ou, ainda, entre o frescor e a estrutura, o delicado tinto de outra autóctone, a Pelaverga.

Vinhos da cepa Dolcetto também são ótimas opções para pratos de estrutura mediana (massas, risotos) – boa acidez e muita fruta, no estilo elegante europeu. Seguimos com os vinhos Barbera, que, em alguns casos, podem ser mais encorpados e tânicos, mas sempre com boa acidez e estilo gastronômico. Uma opção mais acessível em termos de aptidão para o consumo mais cedo e de preço são os vinhos da Nebbiolo de outras partes do Langhe. E, finalmente, os Barolos e Barbarescos, mais caros e longevos, especialmente se resultantes dos vinhedos especiais (os crus).

Segue uma pequena seleção:

1 – VINHOS BURLOTTO – Família de tradição vitivinícola desde meados do séc. 18, com sede em Verduno, faz vinhos excelentes, de extremo equilíbrio, a cargo de Fabio Alessandria.

VERDUNO PELAVERGA BURLOTTO 2018 – Resgate de autóctone Pelaverga. Entre púrpura e rubi, límpido e transparente. Um vinho sensual, fresco, frutado e picante.

BAROLO ACCLIVI DOCG 2015 (misto de melhores parcelas em Verduno) – Bouquet rico e complexo, framboesa, morango, alcaçuz e violeta. Boca elegante e concentrada.

BAROLO VERDUNO MONVIGLIERO 2015 – Barolo do vinhedo de Monvigliero, considerado um Cru dos vinhedos de Verduno. Solo misto de calcário e excelente exposição. Bouquet intenso e amplo de frutas vermelhas, cedro, couro e trufas.

 

2 – VINHOS GIACOMO BORGOGNO – Administração moderna, produção tradicional, Borgogno é um clássico do Piemonte, com expressão internacional e notável conjunto de vinhos. Imp.: Vários.

BARBERA D’ALBA SUPERIORE BORGOGNO 2017 – Aromas vivos de frutas vermelhas do bosque e retrogosto de café expresso.

NEBBIOLO LANGHE BORGOGNO 2016 – Um Nebbiolo mais fresco e acessível, nem por isso menor. Elegante, com taninos finos e bouquet de couro, alcaçuz e cereja amarga.

BAROLO NO NAME 2015 – Feito em protesto a burocracias agrícola italiana, resulta de uma seleção de vinhedos dos principais crus. Passa 3 anos em grandes tonéis eslovenos. Encorpado e generoso, tem bouquet intenso de ervas e alcatrão.

BAROLO BORGOGNO RISERVA 2003 – Sete meses em tanques de aço inox, 3 anos e meio em grandes tonéis eslovenos, engarrafado em 2008. Magnifico tom granada. Bouquet complexo, notas de cedro, chá, café torrado. Taninos sedosos. Longo. Um vinhaço!

 

3 – MARCHESI DI BAROLO BARBERA D’ALBA PEIRAGAL 2016 – Apesar da tradição herdada de mais de 200 anos de produção vitivinícola na região, a produção já incorporou perfis modernos. Contam com extensa seleção. Escolhi um Barbera com porte de Barolo e ótima relação preço/qualidade. Rubi intenso, muito perfumado, toques balsâmicos e amadeirados, acidez vibrante e paladar frutado. Imp: Vários.

 

4 – BRUNO ROCCA BARBARESCO RISERVA CURRÀ 2013 – A vinícola Bruno Rocca é uma vinícola jovem e familiar, mas muito bem posicionada junto ao cru Rabajà de Barbaresco. Faz vinhos de alta gama. Escolhi este Cru Riserva para destacar, por sua excelência. Menta e especiarias no nariz, elegante, com acidez e taninos que indicam longa vida e muito ainda a mostrar. Imp: World Wine

 

5 – MARZIANO ABONNA PAPÀ CELSO DOLCETTO DOGLIANI 2017 – Rico, vibrante, pleno de frutas pretas e vermelhas, macio e envolvente. Um Dolcetto especial! Imp: Mistral.

 

6 – PECCHENINO SIRÌ D’JERMU DOGLIANI SUPERIORE 2017 – Excelente produtor de Dogliani, paraíso dos Dolcettos. Ali adquirem rico extrato mineral e aromaticidade. Este é fresco, elegante e rico aroma de frutas passas e especiarias doces. Imp.: Vinhos do Comendador.

 

7 – GIOVANNI MANZONE LANGHE ROSSESE BIANCO ROSSERTO 2015 – Vinho de belo visual, amarelo com reflexos dourados, aromas de melão e pêssego, untuoso e amplo em boca, com certo frescor e boa persistência.

 

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