Encontro Trump-Putin: economistas alertam para efeito dominó na inflação

Em telefonema, russo diz a Lula que reunião com americano foi positiva

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Trump aperta mão de Putin em 2018 (foto de LehtikuvaJussi Nukari, Agência Xinhua)
Trump aperta mão de Putin em 2018 (foto de LehtikuvaJussi Nukari, Agência Xinhua)

“Desde o início do mandato de Trump, as tentativas de acordo com Putin não levaram a qualquer mudança na postura da Rússia. O mercado vê com algum ceticismo a possibilidade de que grandes mudanças aconteçam no cenário geopolítico a partir da reunião, a despeito de Putin ter se mostrado aberto ao encontro.”

A opinião é do economista José Alfaix, da Rio Bravo.

Para ele, “as ameaças recentes de Trump não apenas ao Brics, mas também àqueles que têm comércio ativo com a Rússia, têm causado volatilidade nos preços de commodities. As tarifas ‘extras’ que seriam a estes países seriam possivelmente retiradas uma vez que os dois líderes conseguissem alcançar um acordo, avalia.

Segundo o especialista, “energia e fertilizantes, trazendo alívio para categorias inflacionárias em específico, mas sem potenciais enormes de mudança na dinâmica inflacionária global. A Europa, região mais dependente do gás natural russo, já se encontra no final de seu ciclo de flexibilização monetária.”

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Já para Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, “o desfecho da reunião entre Trump e Putin tem potencial para influenciar diretamente o custo de insumos estratégicos e o ambiente de crédito em escala global. Para gestores de FIDCs, qualquer sinal de estabilidade que alivie pressões inflacionárias e normalize cadeias produtivas pode melhorar a qualidade dos recebíveis, reduzir riscos e criar condições mais favoráveis para novas operações.”

“Um cenário de custos mais previsíveis também amplia a capacidade de originar créditos com estruturas mais competitivas, beneficiando empresas de diferentes setores. Ainda assim, é preciso considerar que a solidez desses efeitos dependerá da continuidade das negociações e da capacidade de transformar sinalizações políticas em mudanças econômicas efetivas”, diz.

E para Pedro da Matta, CEO da Audax Capital, “o agronegócio brasileiro acompanha com atenção a reunião entre Trump e Putin porque decisões que afetem os preços globais de energia, fertilizantes e grãos têm impacto direto na competitividade do setor.”

“Qualquer avanço diplomático que reduza custos de produção e traga previsibilidade às cadeias de suprimento pode ampliar margens, melhorar a qualidade do crédito e atrair novos investidores para a estrutura. Essa estabilidade se traduz em maior segurança na originação de recebíveis e na expansão de operações, fortalecendo o financiamento de produtores e empresas ligadas ao campo.”

Nesta segunda-feira, Putin telefonou para Lula a fim de compartilhar informações sobre sua reunião com Donald Trump.

Na ligação de cerca de 30 minutos, o presidente da Rússia abordou os diversos temas discutidos com Trump e reconheceu o envolvimento do Brasil com o Grupo de Amigos da Paz. A iniciativa liderada por Brasil e China busca estabelecer entendimentos comuns para apoiar os esforços globais para alcançar a paz, entre eles o conflito da Rússia na Ucrânia, que já dura mais de três anos.

“O presidente Lula agradeceu o telefonema e reafirmou o apoio do Brasil a todos os esforços que conduzam a uma solução pacífica para o conflito entre Rússia e Ucrânia. Desejou também sucesso às continuadas negociações”, diz comunicado do Palácio do Planalto.

Com informações da Agência Brasil

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