Endividamento atinge 80,4% das famílias e bate recorde

Estudo mostra que 29,6% estão com contas em atraso

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Carteira vazia (Foto: Fetracom)
Carteira vazia (Foto: Fetracom)

O endividamento das famílias brasileiras voltou a atingir níveis recordes em 2026, reacendendo o debate sobre a sustentabilidade financeira no país. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 80,4% das famílias possuíam algum tipo de dívida em março, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2010. Além disso, 29,6% estão com contas em atraso, evidenciando a crescente pressão sobre o orçamento doméstico e a dificuldade de equilíbrio financeiro em diferentes faixas de renda.

O cenário reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. O maior acesso ao crédito, aliado à inflação persistente em itens essenciais e à tentativa de reorganização de dívidas antigas por meio de novos financiamentos, contribui para um ambiente de maior vulnerabilidade financeira. Nesse contexto, o crédito passa a desempenhar um papel ambíguo: ao mesmo tempo em que sustenta o consumo, também amplia riscos no médio e longo prazo.

Para 45% dos brasileiros, quitar dívidas é mais urgente que viajar ou ter casa/carro,

Pesquisa intitulada “O Corre do Brasileiro”, realizada pela fintech Creditas em parceria com a Opinion Box revelou que 59% dos brasileiros começaram o ano sob pressão financeira, sendo 34% preocupados, 14% em recuperação e 11% sob forte pressão, enquanto apenas 39% afirmam ter iniciado o ano com sensação de controle sobre as finanças.

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O dado reflete um contexto econômico em que o esforço não necessariamente se traduz em avanço. A maioria dos entrevistados (66%) afirma estar abaixo do ritmo financeiro que gostaria, enquanto 95% dizem precisar complementar a renda e, entre esses, 60% já tentaram, mas não conseguiram.

O principal fator de desorganização financeira segue sendo a imprevisibilidade: imprevistos são apontados por 32% como o maior obstáculo, seguidos pela falta de disciplina (27%) e pela limitação de renda (25%).

Ainda segundo o estudo, 71% dos entrevistados veem relação entre saúde física e sucesso financeiro, enquanto 51% afirmam tomar melhores decisões relacionadas ao dinheiro quando se exercitam. A prática de atividade física está associada a comportamentos como maior foco em metas de longo prazo (34%), menor impulsividade (28%) e mais disciplina (27%), características que também influenciam a organização financeira.

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