Engasga com uma pulga, se delicia com um elefante

O Governo Temer já elegeu – ou melhor, como não é muito chegado ao verbo – já escolheu os culpados pelo déficit público: os fraudadores do Bolsa Família. O Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA) cancelou 469 mil benefícios de famílias com renda per capta acima de R$ 440 e suspendeu outros 654 mil para esclarecer eventuais erros. O percentual de pagamentos cancelados, 3,37%, em um programa desta magnitude, mostra que os problemas eram ínfimos. E mesmo neles, mostra o noticiário, há casos em que o governo foi simplesmente desastrado, ou por não saber fazer contas, ou pela ânsia de apresentar resultados; muitos dos que perderam a bolsa se enquadram perfeitamente nos critérios para recebê-la. No caso dos benefícios suspensos (4,6% do total de beneficiários do programa), as notícias apontam erros ainda mais grotescos. Neste caso, são famílias com renda per capta entre R$ 170 e R$ 440.

A senadora Kátia Abreu denunciou a “demonização” dos beneficiários do Bolsa Família. Não à toa, os que menos têm voz a defendê-los. O governo estima que, somados os benefícios suspensos e os cancelados, deixará de ter um gasto anual de R$ 2,4 bilhões. É um bom dinheiro, e fraudes devem ser combatidas. Mas é a prioridade no combate que mostra a real intenção de quem maneja a caneta. O valor economizado, ainda que visivelmente exagerado, equivale ao que o governo paga de juros nominais sobre a dívida pública em 2,2 dias. Nos 12 meses encerrados em dezembro, foram R$ 388 bilhões em juros, sem contar a ilegal incorporação de juros como rolagem e amortização. Mas a investigação sobre a dívida, que beneficia pouco mais de 70 mil famílias, permanece trancada no cofre dos governantes – de Collor a Temer – em Brasília.

Violência financeira

Nos Estados Unidos, 85% das vítimas da violência doméstica voltam a um relacionamento por falta de condições financeiras. Estudos mostram que o abuso financeiro é uma tática comum usada para ganhar poder e controle em um relacionamento; quem pratica violência física também acaba praticando violência financeira. Muitas vezes, as vítimas são impedidas de desenvolver as habilidades necessárias para alcançar a independência, analisa o consultor Francisco Galiza, que cita publicação do Insurance Information Institute, denominada “What Victims of Domestic Abuse Need To Know About Insurance And Finances” (o que as vítimas de violência doméstica devem saber sobre seguros e finanças), disponível em www.iii.org/article/what-victims-of-domestic-abuse-need-to-know-about-insurance-and-finances

A ideia é que a segurança financeira pode fazer uma grande diferença nas vítimas de violência, na hora de decidir deixar um relacionamento abusivo. E o seguro, sendo um componente importante no planejamento financeiro, deve ser considerado nessa estratégia.

Prejuízo

Os corruptos da Petrobras são punidos apenas com uma tornozeleira eletrônica e pagando suas penas em casa, verdadeiros clubes de lazer, construídos com dinheiro da corrupção. Agora, o juiz Sérgio Moro ainda manda tirar a tornozeleira. Quer dizer que o prejuízo fica somente com a imagem da Petrobras que esses ladrões mancharam? Isso é combate à corrupção?”, reclama Emanuel Cancella, da coordenação do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

Rápidas

Os médicos do Rio de 21 a 25 de novembro para escolher Diretoria e Conselho Fiscal do sindicato (SinMed/RJ) para os próximos três anos *** O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e a Federação das Indústrias (Fiesp) assinarão às 10h dest sexta-feira o Pacto Ético de Governança Empresarial e Institucional, para estimular boas práticas de gestão e comportamento em empresas que mantêm contratos com a administração pública *** O Arq. Futuro (http://arqfuturo.com.br/), plataforma de discussão sobre as cidades, realiza nos próximos dias 21 e 22 um seminário em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano de São Paulo (SMDU) e a ONU Habitat, reunindo autoridades nacionais e internacionais na área para debater a questão da moradia *** Os leitores serão poupados da coluna nas próximas semanas. Até dezembro.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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