"Engatinha-se antes de andar"

Empresa Cidadã / 12:27 - 13 de mar de 2001

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(Machado de Assis, 1839-1908, no conto Silvestre) Há quem fique inibido e deixe de realizar iniciativas importantes por acreditar que projetos sociais são dispendiosos. A empresa-cidadã não tem medida. Pode ser uma grande empresa ou uma pequena empresa, o que importa é a criatividade e o sentido ético dos projetos sociais ou ambientais que empreende. O balanço social, iniciativa do Ibase, através do inesquecível Betinho, é hoje a melhor forma de medir o desempenho social da empresa-cidadã. Toda empresa pode apurar o seu balanço social e através dele aferir o significado do investimento social que realiza e como ele evolui ao longo dos anos. Cuidadosamente elaborado, o balanço social pondera os investimentos sociais e ambientais pelas medidas de desempenho econômico da empresa, como a receita líquida, o resultado operacional e a folha de pagamentos. Assim, os índices apurados resultam de relações que compatibilizam o tamanho do investimento com o tamanho da empresa. Pequenas empresas podem ter resultados iguais ou superiores aos das grandes empresas. Os números do balanço social expressam os dispêndios que a empresa realiza com os seus empregados ou com a sociedade e esta é uma parte importante do desempenho social mas não é a única. Há outras formas de contribuir para o desenvolvimento social e ambiental que nem sempre podem ser reduzidas a um número ou acarretam dispêndio de recursos financeiros. Nem por isso tem importância menor. A avaliação de projetos sociais deve considerar outros fatores além do dispêndio, como a criatividade. Isto não significa que só os projetos originais devam ser empreendidos. A criatividade pode estar na adaptação de uma idéia já existente à realidade de uma empresa ou da região que ela pretenda beneficiar. Pode estar também na associação do projeto aos seus próprios negócios, como associar um programa de voluntariado ao desenvolvimento da capacidade gerencial, da motivação, da identidade organizacional ou à valorização da marca. Outros fatores valorizam projetos sociais e ambientais, independentemente do tamanho do dispêndio. É o caso da repercussão do projeto, seja em termos do número de beneficiados, de subprodutos obtidos com ele, de efeito demonstração como exemplo para outros projetos, de formação de parcerias, de continuidade ao longo do tempo ou de conseqüências dos seus resultados. É como se fosse possível utilizar uma escala imaginária capaz de medir esses fatores, o que nem sempre é fácil. Dificuldade pode existir, por exemplo, em contar o número de beneficiados. Há projetos que contam e recontam os seus beneficiados, multiplicando-os, como se cada atendimento beneficiasse uma pessoa diferente. Nem sempre é fácil identificar as repercussões do projeto, seja na forma de outros projetos que ele pode desencadear ou das suas conseqüências. Identificar pode ser difícil e medir mais ainda. No entanto, duas conclusões são imediatas. Uma é a de que a importância dos projetos não tem correspondência inevitável com o que se gasta neles. Outra, mais importante, refere-se ao sentido ético que precisa orientar cada empresa no empreendimento social. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ DE 32 A 32 MIL O Brasil não cumpriu as metas educacionais firmadas em 1981, entre elas a da erradicação do analfabetismo, acaba de constatar a Unesco. O BB Educar, no entanto, fez a sua parte. Criado em janeiro de 1982, o BB Educar alfabetizou mais de 32 mil jovens a partir de 14 anos e adultos. O BB Educar é um trabalho de alfabetização realizado por funcionários do Banco do Brasil e voluntários das comunidades, aberto aos diversos segmentos da sociedade, que surgiu de uma experiência bem sucedida de escolarização de funcionários de serviços gerais. O banco decidiu colocar o programa a disposição da sociedade através de suas dependências e as aulas são ministradas também em locais cedidos por prefeituras, comitês da cidadania e outros. O BB Educar foi estendido posteriormente à área rural. Os alfabetizados participam ainda de cursos profissionalizantes, após o processo de apreensão da leitura e da escrita. Em São Paulo, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em parceria com o Senai e com a Federação das Entidades Assistenciais de Campinas (Feac) patrocina cursos de formação profissional para menores carentes da cidade de Campinas. Para participar do curso, o interessado deve ter a idade mínima de 14 anos e estar cursando a 8a série do ensino fundamental. Trinta e dois jovens já foram beneficiados.

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