Enquanto fortuna de ricos cresce 150 milhões vivem na miséria

Aumento no cálculo do número daqueles que vivem com menos de US$ 1,90 por dia está chegando a cerca de 10% da população global.

Internacional / 01:14 - 15 de out de 2020

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O número de pessoas na pobreza extrema em todo o mundo aumentará entre 88 e 150 milhões até 2021, em parte graças à pandemia da Covid-19. Os dados são do novo relatório do Banco Mundial, mostrando que isso representa, pela primeira vez em 20 anos, aumento no cálculo do número daqueles que vivem com menos de US$ 1,90 por dia está chegando a cerca de 10% da população global.

A convergência da pandemia do coronavírus, combinada com o conflito global e mudanças climáticas, colocou o objetivo de acabar com a pobreza mundial até 2030 praticamente longe da vista, alertou o relatório. Além disso, 82% dos novos empobrecidos vivem em países de rendimento médio, considerando que um grande número de pessoas em todo o mundo perderam seus empregos, seja por causa das medidas de isolamento ou devido às consequências econômicas que se seguirão à pandemia.

No entanto, a classe trabalhadora em países ricos e pobres também sofre com o impacto do vírus. Cerca de 56 milhões de pessoas nos Estados Unidos (incluindo bem mais de um terço de famílias de baixa renda) que foram obrigados a depender de um banco de alimentos durante a pandemia, de acordo com a Pew Research. No final de julho, 54 milhões entraram com o pedido de seguro-desemprego depois que o setor econômico foi fechado em uma tentativa de lidar com a propagação do vírus. Um terço da população dos EUA também sofreram redução de salário.

Enquanto isso, os que vivem em países pobres estão em uma situação ainda pior. Em abril, o Programa Mundial de Alimentos alertou sobre uma epidemia de fome global potencialmente massiva, já que os mais pobres do mundo não teriam mais condições de comprar alimentos.

Segundo o diretor-geral do Programa Mundial de Alimentos, David Beasley, o surgimento de “múltiplas fomes de proporções bíblicas”, principalmente no Iêmen e no Chifre da África, no qual, após pressão do governo Trump, a ajuda ao Iêmen foi reduzida para apenas US$ 25 centavos por pessoa por dia, menos da metade do que as Nações Unidas estimam ser necessário.

Paralelamente, grandes empresas conseguem suportar a pressão. Mesmo com um grande número de pessoas tendo seus meios de subsistência destruídos, a riqueza dos bilionários do planeta aumentou em cerca de um terço (US$ 1,5 trilhões) durante a pandemia. O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, teve sua fortuna mais do que triplicada, para US$ 92 bilhões, ainda que sua fábrica da Tesla na Califórnia tenha sido temporariamente fechada devido à propagação do vírus.

“O relatório do Banco Mundial mostra claramente que bilhões de pessoas estiveram mais vulneráveis aos impactos econômicos da Covid-19 por causa de décadas de políticas econômicas que os mantiveram vivendo com um salário mínimo acima da linha da pobreza, enquanto os mais ricos da sociedade acumulam cada vez mais riqueza”, escreveu a Oxfam.

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