Ensaboa, mãe

Escolas de samba do Rio se unem para produzir equipamentos de proteção para distribuir a hospitais.

Empresa Cidadã / 20:08 - 7 de abr de 2020

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Jorge Castanheira, presidente da Liga Independente da Escolas de Samba do Rio de Jane3iro (Liesa), anunciou um esforço solidário institucional, coordenado e planejado, com voluntários, mas sem voluntarismo inconsequente, para a produção das tão demandadas máscaras para comunidades e aventais para a rede de saúde, com a adesão unânime das 12 escolas do Grupo Especial, mais a União da Ilha e a Estácio de Sá. É uma contribuição para o combate à pandemia da Covid-19 que se soma a outras iniciativas no âmbito das escolas de samba filiadas à Liesa, como a arrecadação e distribuição de cestas básicas e de material de higiene e limpeza.

As escolas receberam orientação de médicos ligados a instituições públicas de ponta, como a UFRJ / Hospital Clementino Fraga (Fundão) e da Fiocruz, além da Secretaria municipal de Ssaúde na escolha dos materiais e modelos adequados. A Liesa ainda se envolve na negociação dos insumos junto a fornecedores.

Há escolas que empenham os seus barracões como oficinas. Outras valem-se de pontos mais próximos das comunidades ou das quadras. O plano é ter seis costureiras por grêmio (84 costureiras), com uma remuneração básica para 30 dias, gerida pela Liesa. Há listas de voluntários de diferentes habilidades querendo participar.

Só um dos hospitais municipais de referência no tratamento da Covid-19, o Raul Gazolla, utiliza diariamente 2 mil unidades deste EPI, descartável e que, portanto, precisa ser reposto.

 

Déficit de profissionais de saúde

Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, que a pandemia da Covid-19 tornou familiar entre as famílias dos brasileiros que FICAM EM CASA, divulgou nesta terça-feira (7) relatório contundente que afirma que o mundo tem um déficit de profissionais de saúde, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem, da ordem de 5,9 milhões. O anúncio foi feito durante celebração pelo Dia Mundial da Saúde e dos Profissionais de Saúde.

As regiões mais afetadas pela ausência dos profissionais de saúde são os países de baixa renda do Sudeste Asiático, África e partes da América Latina. Cerca de 80% dos enfermeiros e técnicos de enfermagem estão concentrados em países que representam 50% da população mundial. Além da desigualdade, estes profissionais enfrentam muitas vezes condições de trabalho degradadas e baixos salários. Durante a solenidade, Adhanom acrescentou que mais de 3 mil profissionais da saúde foram infectados nesta pandemia, pelo coronavírus.

 

Revelações do coronavírus

Uma das revelações mais nítidas entre as que foram trazidas à luz pela polêmica entre a alternativa do isolamento social da população para se evitar a circulação do coronavírus e a consequente saturação da rede de saúde versus aquela considerada por alguns como alternativa que se refere à manutenção das atividades econômicas como dantes é a dependência do trabalho aviltado, mal remunerado, sem carteira de trabalho assinada, transportado em condições piores do que gado, para a realização de lucros e resultados neste necrosistema, ainda insepulto.

Chega ao ponto de se considerar que “todo mundo vai mesmo morrer um dia”, então pouco importa se a rede de saúde não vai atender a todos. Que morra logo, no melhor estilo Taro Aso, o ministro das Finanças do Japão, indignado com os idosos que não morriam logo, onerando o país (coluna Empresa-Cidadã de 27 de março de 2019, “Taro Aso no deserto de ideias”).

Outra revelação, considerando-se o comportamento de corsário, no mercado internacional de produtos hospitalares, do presidente dos EUA, Donald Trump, o amigão, “ligo prá ele e falo” (em que idioma? É a dúvida, já que um fala inglês e nenhum dos dois fala português), é a atualidade da frase do falecido secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles (1888–1959): “Não há países amigos, mas interesses comuns”

Ou não, acrescento.

 

Dia do Jornalista

Parabéns jornalista, indispensável para a sustentação da Democracia, por sua data em 7 de abril. O que atrapalha um pouco são os cartéis.

 

#fiqueemcasa

 

Paulo Márcio de Mello é professor servidor público aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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