Ensino com cerveja

Recurso cada vez mais utilizado por universidades privadas para maximizar lucros, o ensino a distância está transformando auditórios em verdadeiros salões de festa. Quem conta é a professora Magna Correa, diretora do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (SinproRio): “Enquanto uns poucos alunos prestam atenção à aula, a maior parte se dispersa. Alguns alunos chegam a levar bolsas térmicas com cerveja para os auditórios. E o professor, a distância, não pode saber o que está acontecendo”, criticou Magna, que integra a Comissão do Ensino Superior do Sinpro.

Causa e efeito
“No leilão de 2008, realizado para contratar energia para 2013, apenas uma hidrelétrica, de 350 MW, detinha LP (licença ambiental prévia). Em contrapartida, quase uma centena de centrais térmicas, com cerca de 22 mil MW gerados com combustíveis fósseis, apresentou essa licença. Há algo errado.” O desabafo é do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, no artigo “O paradoxo ambiental”, publicado na revista CartaCapital.
Tolmasquim rebate críticas ao Plano Decenal de Energia 2008-2017, devido ao aumento das emissões de CO2. “Ambientalistas rufam os tambores contra as termelétricas do plano. Esquecem, ou fazem questão de esquecer, que essas usinas térmicas decorrem de sua própria ação de impedir o licenciamento de hidrelétricas! As termelétricas do PDE são resultado dos leilões realizados.”

Idade da pedra
Referindo-se ao WWF-Brasil, Tolmasquim diz que querem condenar o Brasil ao atraso: “Para essa ONG, o consumo de cada brasileiro em 2020 seria de apenas 2.380 kWh, comparável ao que se consumia aqui no ano 2000 ou ao que se consome hoje na Jamaica. E ainda muito inferior ao consumo atual na Venezuela ou na Bulgária (entre 2.700 e 4.000 kWh/hab). Por mais que se promova a eficiência energética, contraria o bom senso admitir que o brasileiro de 2020 consuma menos energia do que consome hoje um cidadão daqueles países.”

Alienígenas
Em artigo recente na Folha de S.Paulo, o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite também desnudou a ação das ONGs no Brasil. Ele fez questão, em primeiro lugar, de separar as “ONGs do mal”. “Entre elas, aquelas cujo propósito único é o usufruto de benesses financeiras e materiais. São denominadas ONGs sanguessugas nos compêndios de parasitologia. Tampouco consideraremos aquelas ONGs, que, sustentadas por instituições e governos estrangeiros, defendem interesses alienígenas e se mantêm insensíveis às aspirações do povo brasileiro.”

Floresta
Cerqueira Leite concentrou-se, em sua crítica, ao que chamou de “ONGs do bem”, e incluiu nesse grupo “bem-intencionados defensores públicos e autoridades do setor de meio ambiente”. “Aparentemente, os oponentes à hidroelétricas não percebem que, a cada vitória jurídica que obtêm, uma série de termelétricas será construída. Os antolhos dessa obsessão, ironicamente, fazem com que vejam as árvores e ignorem a floresta. Ou seja, salvam meia dúzia de espécimes locais (não de espécies), mas comprometem a humanidade e, mesmo, a vida sobre a Terra. Que Deus nos livre das “ONGs do bem”, que nós nos ocuparemos das “ONGs do mal.””

Volatilidade
Ainda não dá para dizer qual o reflexo na tendência da Bovespa, mas, pelo menos nas últimas semanas, os papéis preferenciais nominativos (PNs) da Vale voltaram a registrar o mesmo número de negócios de Petrobras PN. Essa equivalência havia deixado de existir desde o acirramento da crise no último trimestre de 2008, quando os negócios com ações da estatal chegaram à marca de 40 mil por dia, quase o dobro das compras e vendas da mineradora. O realinhamento registrado em 2009 foi anterior aos rumores de que a China estaria disposta a renegociar, para cima, os preços do minério de ferro, o que levou as negociações de Vale PN a baterem as de Petro PN, nos últimos pregões. Sexta-feira, por exemplo, a primeira registrou 30.706 negócios, contra 26.558 da segunda.

Desmorona
Esta coluna engrossa as bolsas de aposta sobre o tempo de sobrevivência do deputado castelar, Edmar Ferreira (DEM-MG), na Corregedoria da Câmara do Deputados: não emplaca a metade da próxima semana. Em tempo de Internet e comunicação em tempo real, os delitos da pequena política, diferentemente dos crimes hediondos contra o país, têm punição quase instantânea, como Ferreira confirmará nas próximas horas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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