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sábado, janeiro 23, 2021

Ensino híbrido é tendência para a vida escolar no mundo pós-pandemia

Com o surgimento da pandemia da Covid-19, da noite para o dia professores e alunos tiveram que se acostumar e se reinventar na forma de aprender e de ensinar: com aulas virtuais e videoaulas, entre outras ferramentas, os educadores se viram diante de novos desafios, aos quais estavam pouco ou nada preparados.

Embora o ensino à distância (EAD) já seja realidade para os adultos que fazem cursos técnicos, Graduação e pós-Graduação de forma virtual, para crianças e jovens a modalidade ainda está em crescimento, mesmo que não seja uma novidade, explica o professor e autor de livros didáticos Ismael Rocha.

O que não estava estruturado, diz Ismael, era o uso constante do virtual. "O que nós não tínhamos antes da pandemia era o uso das ferramentas virtuais para o trabalho do ensino híbrido, não tínhamos a construção do online, que era muito pouco utilizado. Algumas escolas já tinham uma plataforma onde os alunos podiam tirar exercícios, publicar alguma lista de coisas que tinham feito, mas da maneira sistemática como estamos começando a ver hoje e como teremos daqui para a frente é uma novidade – não o ensino hibrido, mas o ensino a partir do uso de plataformas digitais, o ensino online".

Considerada tendência na área da educação para o futuro, a mistura entre o ensino presencial e o virtual, que mescla sala de aula convencional e conteúdos produzidos com apoio de ferramentas de tecnologia, vai invadir mais fortemente a vida do estudante no mundo pós-pandemia. Mas o formato exige muito mais mudança dos professores do que dos estudantes, acredita Rocha, que também é diretor da Iteduc, organização pioneira em capacitar professores de educação básica para o ensino online.

"É uma mudança de paradigma, que vai levar professores e alunos a acreditarem que a plataforma digital é uma ferramenta extremamente útil para o processo de ensino-aprendizagem, principalmente porque a grande maioria dos jovens, desde as crianças, utilizam as ferramentas digitais para o lazer. A relação com o digital para as crianças e os jovens não é uma relação nova, já é presente".

A adoção do método exige uma reorganização do tempo de sala de aula, junto com novo plano pedagógico. O professor ganha um papel também de mentor, apto a impulsionar os alunos em direção a uma postura crítica, acompanhando as questões individuais e dando vazão ao que melhor funciona no aprendizado de cada estudante. E as diversas plataformas digitais vêm para somar essa relação ensino-aprendizado.

Também conhecido pelo termo em inglês blended learning, o ensino híbrido se acentuou com o advento da internet e nada mais é do que combinar diversas plataformas, como filmes, rádio e televisão, por exemplo. "Quando eu peço que o aluno assista um filme e, na aula seguinte, tenho um debate sobre o filme, estamos trabalhando com diferentes plataformas para o que o processo de ensino se dê de forma mais intensa, e tudo isso veio de maneira mais forte com o advento da internet", afirma Rocha.

Segundo o professor, atualmente quem não tem acesso à internet e a computadores pode ficar prejudicado, mas há outras formas. "Os alunos que não têm acesso a essas plataformas ficam prejudicados, sim, mas temos experiências em alguns lugares do mundo, com características socioeconômicas parecidas com as do Brasil, em que as aulas foram dados pelo rádio por meio de emissoras estatais, ou seja, fizeram aulas permitindo que os alunos daquele país pudessem aprender. Se olharmos de uma maneira muito reducionista, entendendo que o ensino híbrido só pode ser feito por meio de internet com banda larga, não há dúvida de que realmente há um prejuízo para aquelas crianças e jovens que não têm acesso"

O ensino híbrido pode ser feito por meio de formas bem conhecidas, lembra Ismael Rocha. "Nós temos estações de TV e rádio estatais, temos a possibilidade de fazer a geração de materiais escolares numa velocidade muito rápida. É muito mais uma decisão política, para que o ensino híbrido possa fazer parte do dia a dia das escolas, do que uma decisão de tecnologia. Um exemplo no Brasil é o famoso telecurso, quando uma série de pessoas conseguiu seu diploma dos antigos primeiro e segundo graus, acompanhando aulas todos os dias pela televisão. Elas não tinham oportunidades de ter aulas presenciais", diz.

Na China, pesquisa recente mostrou que mais de 81,3% dos estudantes chineses do Ensino Médio acessaram cursos online em casa durante o isolamento por conta da Covid. A pesquisa, realizada pela Universidade de Pequim, entrevistou 33.194 estudantes e 5.667 professores de 164 escolas secundárias em 10 regiões de nível provincial.

Cerca de 80,7% dos professores entrevistados disseram que davam aulas virtausi ao vivo, enquanto 31,4% dos alunos disseram que fizeram perguntas aos professores pela internet. Versões digitais de livros e papéis de exame foram populares, com 43,6% dos estudantes usando livros digitais e 78% fazendo exames virtuais.

A pesquisa também descobriu que 18,4% dos estudantes entrevistados viram suas notas melhorarem durante a epidemia.

 

Cresce número de alunos de faculdades privadas que estão desempregados

 

Com informações da Agência Brasil e da Xinhua

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