Ensino Superior: 54% nunca tiveram aula virtual antes do isolamento

Segundo pesquisa, 24% dos estudantes apresentam dificuldades com novo aprendizado; já professores se comprometem com novos recursos.

Conjuntura / 15:26 - 16 de set de 2020

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Estudo realizado pelo Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Currículo e Sociedade (GEICS) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) para analisar a percepção do aluno do Ensino Superior (Graduação e Pós-graduação) sobre sua aprendizagem no período de isolamento em decorrência da Covid-19 apontou que 54% dos estudantes nunca haviam tido contato com aulas virtuais e ou ensino à distância antes do isolamento. Além disso, 24% diz não aproveitar as aulas virtuais com novas aprendizagens.

O levantamento, intitulado "Quarentena Covid-19: a Percepção de Alunos sobre sua Aprendizagem", foi realizado com estudantes de todo o Brasil matriculados em instituições públicas e privadas e concluiu que entre os motivos citados, a grande maioria (78%) comenta que falta a intensidade que o presencial proporciona; entre as outras opções marcadas estão, a dificuldade de acesso à tecnologia (29%), a não compreensão (40%) ou falta de interesse (33%) das propostas online. Ao todo foram entrevistados 735 alunos sendo 84,3% estudantes da rede privada e 15,7% da rede pública em sua maioria na faixa de 18 a 30 anos.

O plano analisou o oferecimento das aulas pela internet de universidade públicas e privadas e concluiu que 79,2% das instituições estão com todas as disciplinas virtuais, 12,5% estão de maneira parcial e 8,3% estão com todas as aulas suspensas. Por outro lado, a participação de alunos está mais pulverizada, 66% dizem ter participado de todas as aulas, 23% de uma parte, já os demais - incluindo os que não participam de aula alguma representam 11% do total.

Dos que não participam, os motivos variam consideravelmente, mas os principais responsáveis são a impossibilidade de organizar a rotina para estudar (45% dos alunos). Em torno de 15% dos alunos disseram não ter recursos tecnológicos para acompanhar o estudo. Por outro lado, 30% disseram ter recursos, mas não se adaptaram ao sistema; outros 28% disseram que não concordam ou acreditam na eficácia do estudo virtual.

Com relação às videoconferências, 83% dos professores têm proposto o uso do método. Contudo, apenas 39% dos alunos diz ser obrigado a participar, o que afeta diretamente na participação dos alunos na chamada. Por isso, apenas 16% disseram que a turma inteira participa das chamadas, enquanto 33% colocaram que mais da metade da turma participa; 23% em cerca de metade da turma. Por fim, 21% votaram na opção que menos da metade da turma participa.

Para o professor, resta utilizar recursos adicionais, principalmente chat para ver se o índice de participação cresce. Os alunos pontuaram que 36% dos professores fazem isso, sendo 61% presentes ativamente no chat e 32% utilizam ocasionalmente uma plataforma de conversa. Porém, 42% disseram que poucos professores utilizam qualquer recurso e 23% estão com professores que não utilizam nenhum auxílio.

Assim, entre 46,7% e 61,7% dos alunos apresentam um sentimento negativo por estarem apenas tendo aulas remotas e 65,3% afirmar que seu aproveitamento em sala de aula caiu, principalmente pela falta de contato com os professores de maneira presencial. Ainda que 67,6% veem que os professores estão interessados e buscando alternativas para ensinar e se relacionar com os estudantes, inclusive descobrindo e testando novos recursos.

Além disso, pelo que o estudo indica, os alunos também acreditam nisso, porém com ressalvas. Em torno de 19% acreditam que, após a quarentena, as aulas presenciais terão um uso maior de recursos virtuais. Já 43% foram mais comedidos e creem que alguns professores vão, sim, se apropriar dos novos recursos. Porém, 22% acreditam que esse momento é passageiro e que tudo seguirá como era antes da pandemia.

 

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