Ensino superior fraco e caro

Mais de 40% dos cursos superiores privados tiverem desempenho ruim

Conjuntura / 00:21 - 21 de out de 2020

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Como se não bastassem as dificuldades financeiras para entrar numa faculdade, mais de 40% dos cursos superiores de instituições particulares de ensino (com e sem fins lucrativos) tiveram desempenho considerado ruim na última edição do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), aplicado em 2019, ou seja, antes da pandemia. Nas universidades federais a taxa ficou em 5,3% e nas as estaduais, 11,3%.

Os resultados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) são referentes ao Conceito Enade, indicador calculado a partir do desempenho dos estudantes no Enade, uma avaliação do governo federal realizada por alunos que estão concluindo o ensino superior para medir a qualidade.

Sem entrar no mérito dos resultados do Enade, no mesmo dia o ministro da Educação, Milton Ribeiro informou que “essa semana, nós tomamos algumas decisões que, de maneira muito direta, podem parecer não tão simpáticas à educação, (como a) suspensão de vestibular. Esse vai ser o ritmo que queremos dar ao MEC, de assumir mesmo uma posição na avaliação da educação superior. Eu não tenho, e a nossa equipe (também) não, receio de fazer o que for preciso para suspender, credenciar ou descredenciar instituições. Queremos focar na qualidade”.

O Conceito Enade possui uma escala de 1 a 5. As faixas 1 e 2 são consideradas ruins por estarem abaixo da média na avaliação. Para esta análise, foram considerados os 8.188 cursos de instituições públicas e privadas que tiveram o desempenho divulgado. No ano passado, 2.691 dos 6.191 cursos de instituições particulares avaliados pelo Enade e que tiveram o desempenho divulgado ficaram nos conceitos 1 e 2 - o equivalente a 43,5%. Outros 41,7% dos cursos avaliados nas instituições particulares ficaram com o conceito 3, enquanto 13,4% foram classificados no conceito 4. Apenas 1,5% alcançou o conceito máximo.

O ministro da Educação disse que sua gestão tem como um de seus principais objetivos a melhoria da qualidade da educação superior. Ele falou brevemente no início de uma coletiva de imprensa marcada para a divulgação resultados e logo se retirou, não respondendo às perguntas dos jornalistas. Ribeiro não chegou a participar da apresentação dos dados.

O presidente do Inep, Alexandre Lopes, ao anunciar os resultados de indicadores que medem a qualidade do ensino superior, informou que o MEC discute novas formas de avaliar o ensino

superior, e pretende reformular as regras para melhorar a qualidade dos cursos de graduação no país,

Segundo Lopes, uma revisão do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) está sendo debatida internamente e junto a fóruns como o Conselho Nacional de Educação (CNE). “A lei do Sinaes é de 2004. Acho que é o momento da gente reavaliar nosso processo avaliativo, nosso processo regulatório. Isso vai ser feito junto com as instituições de ensino superior públicas e privadas”. A reformulação do marco normativo está sendo discutida internamente, de acordo com o presidente do Inep, e posteriormente será debatida com os demais representantes do setor.

 

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