O mercado financeiro é cheio de jargões que deixam muitas pessoas sem entender o que significam os termos usados pelo setor. A falta de familiaridade com essas expressões afasta a maioria dos brasileiros do mercado. Mas não há motivo para preocupação. Nesta série de reportagens vamos explicar os principais vocabulários do setor financeiro e deixar você por dentro de todos os jargões utilizados pelo mercado financeiro. Para começar, vamos falar de Ebitda. O Monitor Mercantil consultou especialistas no mercado para esclarecer os principais pontos relacionados a este termo. Confira:
O que é
Ebitda, em português, Lajida (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização). É uma medida financeira que representa a rentabilidade operacional de uma empresa. Ele é calculado subtraindo os custos operacionais, exceto juros, impostos, depreciação e amortização, da receita total da empresa.
Esse indicador destaca a capacidade de uma empresa gerar lucro operacional antes de considerar despesas financeiras, impostos e outros fatores não relacionados à operação principal. “Um aumento no Ebitda indica uma melhoria na eficiência operacional, enquanto uma diminuição pode sinalizar desafios operacionais”, explica o COO da SM Holding, Raquel Félix.
Onde encontrar o Ebitda?
Embora não seja obrigatório, muitas empresas optam por divulgar o indicador voluntariamente, frequentemente em comunicados à imprensa (releases) que acompanham os balanços financeiros. Isso oferece contexto adicional sobre os resultados, conforme destaca Caritsa Moreira, analista da VG Research.
Sobre utilizar o Ebitda
“Embora útil para avaliar a eficiência operacional, o Ebitda não deve ser analisado isoladamente. O lucro líquido, influenciado por fatores além do operacional, também é crucial. Empresas podem usar o Ebitda ajustado, exigindo uma análise cuidadosa para entender os eventos considerados”, considera Caritsa Moreira.
“Podemos usar o Ebitda para avaliar a eficiência operacional de uma empresa e compará-la com outras do mesmo setor. Também é utilizado em cálculos de múltiplos de avaliação, como o Ebitda múltiplo, que compara o valor de mercado da empresa com seu Ebitda”, comenta Fabrício Gonçalvez, CEO da Gestora Box Asset.
“Embora esse indicador seja uma métrica amplamente utilizada, também tem críticas. Por exemplo, ele não leva em consideração as despesas de capital necessárias para manter e expandir os negócios, e com isso algumas empresas podem usá-lo de maneira enganosa, omitindo despesas importantes”, alerta Gonçalvez.
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Cuidados na utilização
De acordo com Moreira, o Ebitda não contempla valores importantes, como o endividamento, sendo necessário analisar outros indicadores para uma visão completa da saúde financeira da empresa. Empresas que usam o Ebitda ajustado devem ter seus eventos considerados para garantir consistência na análise.
Conceitos correlatos
– Ebit (Lucro Operacional): representa o lucro antes de despesas financeiras e impostos.
– EBT (Lucro antes de Impostos): representa o lucro antes de despesas de Imposto de Renda.
– EbitdaR (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação, Amortização e Aluguel): inclui os custos de aluguel, além dos itens já considerados no Ebitda.
“Conhecer o Ebitda e conceitos relacionados é crucial para entender a saúde financeira de uma empresa. Ele fornece uma visão do desempenho operacional da empresa, independentemente de fatores como estrutura de capital e métodos de depreciação”, diz Fábio Baptista, contador e diretor executivo da Agilizza Automação Fiscal.
“No entanto, é importante notar que o Ebitda não é uma métrica reconhecida pelos princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP) e alguns críticos, incluindo Warren Buffett, chamam o Ebitda de sem sentido porque omite a depreciação e os custos de capital”, finaliza Baptista.
Por Por Gilmara Santos, especial para o Monitor

















