Entendimento do mercado sobre sustentabilidade é heterogêneo

Estudo mostra que reações vão desde a desconfiança até o engajamento

Levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) constatou que o tema sustentabilidade tem ainda graus de entendimento bastante diversos. A pesquisa encontrou cinco perfis de comportamento, que englobam desde os profissionais que não veem ganho nessa bandeira até aqueles que têm a sustentabilidade no centro dos negócios.

A agenda ESG (sigla em inglês que significa environmental, social and governance, e corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização) está mais presente no radar das corporações brasileiras, mas algumas ainda não colocam em prática a essência do termo.

Na pesquisa da Anbima, alguns profissionais foram chamados de desconfiados, distantes, iniciantes, emergentes e engajados. “A sustentabilidade não é um tema novo no mercado, no entanto, com a pandemia de covid-19, ele ganhou tração por conta da mudança da percepção de risco dos investidores. Esse movimento é positivo e, sem dúvida, ajudará a alavancar essa pauta”, acredita o vice-presidente e coordenador do Grupo Consultivo de Sustentabilidade da Anbima, Cacá Takahashi.

Na opinião dele, conhecer os diferentes modelos mentais sobre sustentabilidade que prevalecem entre os players é essencial para traçarmos uma agenda de trabalho eficiente”, afirma Cacá Takahashi, vice-presidente e coordenador do Grupo Consultivo de Sustentabilidade da associação.

 

De acordo com os critérios de interpretação, os desconfiados enxergam as práticas ESG (ambientais, sociais e de governança, na sigla em inglês) como uma ameaça para o desenvolvimento de seus negócios. Já os distantes têm uma visão simplificada da sustentabilidade e encaram como algo ligado às questões ambientais. Os iniciantes também acham que o tema é focado no meio ambiente, mas eles têm ações concretas, mesmo sendo a maioria delas ainda dentro de casa, a exemplo da reciclagem de copos plásticos.

 

Enquanto isso, os emergentes estão mais avançados na agenda: compreendem a relevância dos aspectos ESG e estão em fase de implementação de processos mais abrangentes. Por fim, os engajados veem a sustentabilidade como parte da estratégia da instituição, embalando produtos e serviços com esses critérios e cobrando transparência nas relações da empresa com todos os seus stakeholders.

“Quando analisamos os dados, vemos que a sigla ESG está distante de 67% das casas. No entanto, os perfis encontrados mostram uma trilha de amadurecimento e evolução das instituições, com exceção, claro, do desconfiado”, complementa Takahashi.

Os perfis de comportamento foram revelados na fase quantitativa da pesquisa, com apoio da consultoria Na Rua. Na sequência, o Datafolha quantificou a presença de cada um deles no mercado brasileiro.

A pesquisa conclui que embora heterogêneo, o mercado caminha para uma evolução. Oitenta e sete por cento das instituições afirmam que o assunto ganhou relevância nos últimos 12 meses. Quase a totalidade do mercado (90%) tem certeza de que ele ganhará ainda mais no próximo ano.

Em recorte específico feito nas gestoras de recursos, 80% afirmaram ter uma política de investimento responsável ou um documento que formalize seu tratamento ao tema ESG (concluído ou ao menos em estágio de desenvolvimento). Em 2018, quando o mesmo levantamento deste recorte foi realizado, o percentual era menor (68%). Um terço (33%) das gestoras estão em processo de desenvolvimento de um documento incorporando questões ESG.

Também aumentou o volume de ativos analisados sob as lentes ESG. Cerca de 29% das casas avaliam de 80% a 100% de seus papéis, o que representa aumento de 12% na comparação com a pesquisa anterior.

O levantamento foi encomendado pela associação e realizado em duas fases. A primeira, qualitativa, liderada pela consultoria estratégica Na Rua, contou com 144 participantes para responderem exercícios sobre o tema e 41 para realização de entrevistas em profundidade. Com essas ações, foi possível identificar os perfis de comportamento do mercado.

A segunda parte, quantitativa, contou com o apoio do Datafolha: foram 265 casas entrevistadas, sendo 209 gestoras de recursos. Essa etapa quantificou os perfis encontrados na primeira e mensurou o grau de maturidade das assets, trazendo informações como número de funcionários envolvidos no tema, ativos ESG sob gestão, critérios mais observados, entre outros.

Algumas respostas voltadas para as gestoras puderam ser comparadas com as da nossa última pesquisa quantitativa de sustentabilidade de 2018. A margem de erro fica entre 6 e 7 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.

 

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