Entre mulheres e vinhos brasileiros

No último dia do mês da mulher, um encontro de algumas profissionais do setor para relatar e promover seus projetos e o vinho nacional.

No dia 31 de março, finalzinho do mês identificado com os temas das mulheres, aconteceu a live “Entre Mulheres e Vinhos”, com a participação de algumas profissionais do vinho no Brasil, notadamente da região Sul, sede da ABE (Associação Brasileira de Enologia), promotora do evento. Dois focos: reforçar a imagem do vinho brasileiro e homenagear as mulheres atuantes no mercado de vinhos, algumas já bem sucedidas, outras que despontam em diferentes ocupações do setor – enologia, sommellerie e jornalismo especializado.

O ano de 2020 surpreendeu o setor do vinho com o aumento do consumo de vinhos. Para além dos dados quantitativos, é no campo qualitativo que o vinho se insinua de outro modo. Para lidar com a repentina e contínua condição de confinamento na qual nos encontramos, tivemos que acionar alguns recursos que tornassem possível a reorganização do cotidiano.

A tradicional fronteira entre dias úteis e dias de lazer da semana foi neutralizada; as etapas de trabalho passaram a conviver com as tarefas domésticas e as reuniões com o pijama (ou a camisola). Nesse tempo contínuo, onde tudo se mistura, em que as férias não acontecem e as notícias são aterrorizantes, elementos ritualísticos como o vinho ressignificam o ambiente, o estar com o outro e qualificam a experiência sensorial. Há também uma curiosidade pelo conhecimento que está atrelado ao universo do vinho e o público feminino é um dos que mais se interessa: estudam, compram, experimentam e apresentam um perfil menos dogmático do que o masculino em suas preferências.

As mulheres sempre estiveram de algum modo inseridas nas etapas das produções de vinho. O que é menos comum e proporcionalmente desigual em relação aos homens é a sua visibilidade como “A Enóloga”, “A Sommelière”, “A Consultora” etc. No encontro “Entre Mulheres e Vinhos”, sete brasileiras que ganham destaque no cenário do vinho falaram um pouco sobre as suas atuações e a crescente presença da mulher neste campo, aproveitando ainda para ressaltarem a qualidade do vinho nacional.

O encontro foi mediado pela jornalista especializada e editora da publicação Bon Vivant, Andreia Debon e a primeira entrevistada foi Bruna Cristofoli, diretora técnica da Cristofoli Vinhos de Família, que fica em Faria Lemos, na Serra Gaúcha. Bruna tem 34 anos, é Diretora Cultural da ABE e comanda junto com seus irmãos a vinícola familiar, na qual se destaca o investimento em cepas nativas italianas. Tive a satisfação de assistir a live, degustando uma taça do Sangiovese Cristofoli 2019, um ícone da vinícola.

Em seguida, falou Ivane Fávero, autora do Blog voltado ao enoturismo Viajante Maduro e com importante histórico de atuação no setor turístico, inclusive na gestão de cargos públicos. A terceira convidada foi Deisi da Costa, eleita a Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul em 2019 pela ABS-RS. Deisi contou um episódio interessante de seu atendimento em um restaurante londrino, em que pediu uma taça de vinho e só lhe foram oferecidos vinhos brancos e rosés ou tintos jovens, porque seriam mais apropriados para mulheres: “- Isso é algo que escuto muito dos homens que vendem vinhos”.

A colunista de Gastronomia do Jornal O Globo, Luciana Fróes, foi a única convidada do sudeste, que ressaltou o espaço que sempre abriu em suas publicações para incentivo da produção de vinhos nacionais. As seguintes convidadas foram Regina Vanderlinde e Patrícia Possamai. A primeira, Doutora em Enologia pela Universidade de Bordeaux, está no fim de seu mandato como Presidente da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho), um cargo de grande expressividade. Ao longo de sua atuação na sede da OIV em Paris e nos congressos internacionais da instituição, Regina confessa que sempre foi uma embaixadora dos vinhos brasileiros, muito bem representados nesses eventos.

A segunda, a enóloga Patrícia Possamai, é sócia de Regina Vanderlinde no projeto Bella Sparkling Wine Collagen Pink: um espumante rosé com colágeno, lançado no encontro. Trata-se de uma iniciativa estrategicamente pensada para alcançar o público feminino maduro, que já gosta de espumante, vinho rosé e precisa de colágeno. importante dizer que, segundo muitos dermatologistas, não existe comprovação científica de que o colágeno ingerido seja absorvido pelo organismo como colágeno. Mas quem quiser inventar mais um motivo para beber vinho, eis aí!

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Miriam Aguiar
Jornalista, educadora e especialista em vinhos

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