Desde 2019, a quantidade de pessoas que ingressaram na Bolsa de Valores aumentou mais de 90%. Hoje, são mais de 3,2 milhões de investidores que precisam prestar contas com o Leão da Receita periodicamente.
Nesse sentido, a partir do momento que investem qualquer valor na Bolsa de Valores, independente de lucro, do prejuízo ou do valor investido, assumem também três responsabilidades: a 1ª obrigação com o Leão é calcular os resultados das operações todo mês; a 2ª envolve o pagamento do Darf se tiver lucro tributável; e a 3ª é declarar o Imposto de Renda anualmente.
Entretanto, muitos investidores novatos ainda têm dúvidas com relação à periodicidade destes deveres e, por descuido, acabam perdendo prazos, caindo na malha fina e pagando multas desnecessárias. Ou seja, complicando a vida com o Leão e rasgando dinheiro – o que vai na contramão dos objetivos do investidor ao entrar na Bolsa de Valores.
Alice Porto, do canal Contadora da Bolsa, explica que o cálculo das operações deve ser mensal porque, quando o investidor compra, tem que atualizar a carteira com o novo custo de aquisição, para ter os valores corretos e atualizados.
E, quando vende, tem que calcular o resultado total das vendas: se é lucro tributável, lucro isento ou prejuízo. Se for lucro tributável, tem que pagar a Darf no último dia útil do mês seguinte às operações.
Então, é preciso calcular mensalmente para verificar se há imposto a pagar. Por exemplo, no último dia útil do mês de setembro, vencerá a data para o pagamento do Darf referente às operações de agosto. Neste caso, se o último dia do mês for num sábado ou domingo, é preciso pagar o Darf na sexta-feira, caso contrário na segunda-feira pagará multa e juros.
Além disso, o cálculo mensal é importante porque o investidor precisa ter todos os resultados mencionados acima para informar corretamente na declaração anual do imposto de renda, senão ele pode ser pego pelo temido Leão da Receita Federal.
Assim, a organização dos cálculos mensais é fundamental para o sucesso no mercado de renda variável. “A desorganização e o atraso dos cálculos mensais pelo investidor podem aumentar a margem de erro, causando o pagamento do DARF com juros e multa, no caso de lucro. Ou ele pode acabar não compensando os prejuízos retroativos e pagando IR a maior, o que significa jogar grana fora, e ainda, corre o risco de informar valores errados na declaração anual de Imposto de Renda”, complementa Porto.
Outro problema que pode ocorrer para o investidor, caso o monitoramento mensal das operações na Bolsa de Valores não seja feito corretamente, é ter maior dificuldade para conseguir a documentação retroativa e colocar tudo em dia, ocasionando o atraso na entrega da declaração anual do Imposto de Renda e pagamento de multa.
De acordo com dados da Receita Federal, cerca de 1,7 milhão de contribuintes caíram na malha fina do Leão no ano de 2021. Em 2020, foram aproximadamente 1 06milhão de pessoas. Para não ser um deles, organizar as finanças e manter os cálculos atualizados é condição indispensável.

















