

O voto “Não” consolidou sua vitória nesta segunda-feira no Equador em todas as quatro questões da consulta popular e referendo constitucional promovido pelo governo nas eleições de domingo no país, de acordo com os resultados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 98,60% das cédulas apuradas.
Segundo o último relatório do CNE, as quatro questões propostas pelo presidente Daniel Noboa foram rejeitadas pela maioria dos equatorianos em uma eleição que registrou 80% de comparecimento às urnas.
A opção “Não” venceu com folga, com 60,65% dos votos, na questão que buscava eliminar a proibição constitucional de instalação de bases militares estrangeiras no Equador, contra 39,35% para o “Sim”. Com esse resultado, o governo fica impedido de reformar parcialmente o Artigo 5º da Constituição, aprovada em 2008 durante a presidência de Rafael Correa (2007-2017), que estabelece essa proibição.
O voto “Não” também prevaleceu claramente, com 61,64% dos votos na proposta de convocação de uma Assembleia Constituinte para elaborar uma nova Constituição, 53,46% na proposta de redução do número de legisladores e 58,08% na proposta de eliminação do financiamento estatal para partidos políticos.
A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Diana Atamaint, afirmou em pronunciamento à nação na noite de domingo que, com uma “tendência marcante” nos resultados oficiais preliminares, o voto “Não” prevaleceu em todas as quatro questões do plebiscito.
“Hoje, o Equador se manifestou de forma pacífica, alegre e em defesa de sua democracia”, disse ela, acrescentando que a vontade popular expressa nas urnas foi respeitada. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) realizou a audiência pública sobre a contagem dos votos nesta segunda-feira e divulgará os resultados oficiais em até 10 dias, conforme previsto na lei eleitoral.
A rejeição esmagadora nas urnas representa um revés político para o governo Noboa, segundo analistas, que concordam que uma mudança de rumo na gestão do Executivo é urgentemente necessária para enfrentar os graves problemas que afetam o país, incluindo uma crise de segurança sem precedentes.
O próprio presidente Noboa reconheceu a derrota no plebiscito na noite de domingo, após a divulgação dos primeiros resultados oficiais, que não favoreceram o governo.
“Nosso compromisso não muda; pelo contrário, se fortalece. Continuaremos lutando incansavelmente pelo país que vocês merecem, com as ferramentas que temos”, declarou.
Atores políticos e especialistas atribuíram os resultados eleitorais à erosão do apoio ao governo Noboa, cuja gestão tem sido criticada pela crise de segurança, deficiências no sistema de saúde e medidas econômicas como a eliminação do subsídio ao diesel, que desencadeou uma violenta greve indígena.
Com informações da Agência Xinhua
















