Equador terá referendo sobre bases militares estrangeiras

Presidente Noboa quer driblar Constituição para permitir instalação de bases militares dos Estados Unidos no Equador.

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Daniel Noboa, presidente do Equador
Daniel Noboa (Foto: Presidência do Equador)

O presidente do Equador, Daniel Noboa, emitiu um decreto solicitando um referendo constitucional para que os equatorianos possam votar sobre o estabelecimento de bases militares estrangeiras no país, uma questão já aprovada pelo Tribunal Constitucional em agosto passado.

O presidente tomou a decisão por meio do Decreto Executivo 147, assinado na quinta-feira e divulgado nesta sexta-feira pela Presidência equatoriana.

No decreto, Noboa notifica e instrui o Conselho Nacional Eleitoral a prosseguir com o processo previsto na Constituição e em outras leis para a realização do referendo constitucional.

O presidente argumentou que a situação de segurança no Equador, atingida por uma escalada de violência sem precedentes, “exige a adoção de estratégias diversas contra as diversas formas de crime organizado”.

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Analistas políticos latino-americanos veem na iniciativa uma forma de permitir a instalação de base militar dos Estados Unidos na região.

Noboa reconhece que o Artigo 5º da Constituição do Equador não permite o estabelecimento de bases ou instalações estrangeiras para fins militares, e também proíbe a transferência de bases para Forças Armadas ou de segurança estrangeiras. Nesse contexto, ele anunciou no decreto a questão que será submetida à votação equatoriana no referendo.

Em 7 de agosto, o Tribunal Constitucional emitiu parecer favorável e aprovou a questão de reforma que propõe a permissão de bases militares estrangeiras no Equador.

O Tribunal Constitucional então determinou que a proposta atende aos requisitos estabelecidos na lei, enquanto a Assembleia Nacional (Parlamento), aprovou anteriormente a proposta de Noboa, por se tratar de uma reforma parcial do Artigo 5º da Constituição.

Noboa pretende que o referendo constitucional seja realizado em 30 de novembro, juntamente com uma consulta popular que promova outras questões relacionadas a questões criminais, políticas e de justiça.

A proibição expressa do estabelecimento de bases militares estrangeiras no Equador foi estabelecida na Constituição de 2008, promovida pelo então presidente Rafael Correa (2007-2017).

A restrição implicou a retirada de tropas americanas da Base Aérea Eloy Alfaro, na cidade portuária de Manta, no oeste do país, onde um Centro de Operações Avançadas dos EUA operava para o controle de drogas na região.

Presidente do Equador quer nova Constituição

O presidente equatoriano anunciou na quarta-feira que enviará uma pergunta ao Tribunal Constitucional para permitir que os cidadãos decidam, em referendo, se desejam redigir uma nova Constituição. O presidente fez o anúncio em uma carta publicada em suas redes sociais.

Para que a iniciativa de Noboa se torne realidade, o Tribunal Constitucional precisa primeiro determinar a validade da pergunta. Se a aprovar, o povo será chamado às urnas para decidir se deseja ou não uma Assembleia Constituinte.

Protesto no Equador contra aumento no preço do diesel
Protesto no Equador contra aumento no preço do diesel (foto de Ricardo Landeta, Xinhua)

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), a maior organização do país, decidiu na quinta-feira convocar uma greve nacional “imediata e por tempo indeterminado” para rejeitar a eliminação do subsídio ao diesel, decretada em 12 de setembro pelo presidente Daniel Noboa.

Além disso, a CONAIE denunciou e rejeitou supostas ameaças e perseguições por parte do governo e anunciou que decidiu invocar o “direito à resistência”, ao mesmo tempo em que apelou às organizações internacionais para que permaneçam vigilantes.

O movimento indígena já liderou protestos violentos e massivos em 2019 e 2022, quando os então presidentes Lenín Moreno (2017-2021) e Guillermo Lasso (2021-2023) tentaram, sem sucesso, eliminar os subsídios aos combustíveis.

Enquanto isso, Noboa, que no ano passado eliminou o subsídio às gasolinas Extra e Eco País, as mais consumidas no país, defendeu a decisão em relação ao diesel, afirmando que o subsídio não beneficiava verdadeiramente aqueles que dele necessitavam.

A eliminação do subsídio ao diesel resultou em um aumento no preço do combustível de US$ 1,80 para US$ 2,80 por galão nos postos de gasolina, desde 13 de setembro.

Noboa declarou estado de emergência por 60 dias “devido a graves distúrbios internos” em sete províncias onde os protestos, com bloqueios de estradas, estavam concentrados. Esses protestos terminaram na quarta-feira.

Com Agência Xinhua

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