Era da incerteza perto do fim

Política é como nuvem. Você olha, e ela está de um jeito. Você olha de novo, e ela já mudou”, dizia o mineiro Magalhães Pinto. A frase do político de direita cabe perfeitamente para analisar a situação da esquerda brasileira hoje. No meio da semana, um jornalão noticiou que a esquerda estava dividida, não só em relação à Presidência da República, como nas disputas locais. No dia seguinte, o PT fechou acordo com o PSB em quatro estados. Reincidente, a publicação disse que a unidade rachou os partidos…

Analisar o quadro atual pela ótica dos comprometidos colunistas conservadores dá uma ideia errônea da realidade. Muitos pontos ainda estão indefinidos, e não poderia se esperar outra coisa, diante da crise institucional que se instalou no Brasil. Já há algumas eleições, governadores tentam se reeleger ou eleger seus sucessores em uma espécie de WO, colocando para fora – via justiça – ou aliciando opositores viáveis eleitoralmente. A tentativa de escolher quem pode ou não ser candidato a presidente só poderia criar um cenário confuso, que irá se definir à medida que os prazos se apertem.

Em meio a tudo isso, sobra a população, massacrada pela crise econômica e social. Alguns buscam refúgio em um passado recente; outros querem “mudar tudo que está aí”, uma espécie de voto de protesto emocional. Ninguém espere dias tranquilos.

JC Cardoso, direto da China

 

Patientia’

No parque de Tuole Ancient Gingko Village, na cidade de Panzhou, ponto turístico, os letreiros estão em chinês, inglês, coreano e… latim! Pergunto por que latim. Dizem que vêm turistas dos países latinos. Tento explicar que nos países latinos não se fala latim, falam línguas que tiveram origem no latim, que mantêm a estrutura, vocabulário, mas são outros idiomas: português, espanhol, francês, catalão etc. Nem mesmo na Itália fala-se latim. Só o Vaticano tem o latim como língua oficial, além do italiano.

Mas nós não temos relações com o Vaticano”. “Eu sei. Então, por que as coisas estão em latim?”, replico. “Boa pergunta.”

 

Apelido

O ocidental tem dificuldade com nomes orientais, e a recíproca é verdadeira: meu nome saiu como Sr. Monitor do país Mercantil.

 

Apelido – 2

Comum chineses que lidam com ocidentais adotarem nossos nomes (em geral, os mais curtos) para se fazerem entender. Ocidentais que vivem aqui fazem o mesmo e adotam os deles. Uma chinesa que nos ajudou na tradução em inglês numa viagem a Ghizou se chama Hu Ting (Hu é o sobrenome; Ting, o prenome) e apresentou-se assim: “My name is Ting, but you can call me… Sammy!” (“Meu nome é Ting, mas pode me chamar de Samuel!”).

 

Alá

Chineses (e parece-me que orientais como um todo) se preocupam mais com a definição do nome ao registrar um filho do que com a sonoridade ou com a modinha, como, em geral, ocidentais fazem (há exceções e conheço algumas). Aí pedem para explicar o que é o meu João; digo ser a forma em português para John; que é um nome bíblico que significa “Agraciado por Deus”. Acham que todos os nomes no Ocidente são religiosos. Digo que não, que o próprio Carlos, do meu João Carlos, é de origem germânica e quer dizer “fazendeiro”. Não entendem Carlos. Digo que é igual Karl, de Karl Marx, é a forma em português. Funciona a explicação.

Mas também temos outros nomes, de origem indígena, africana e até latina, como, por exemplo, Augusto, Máximo e Cláudio, este último que quer dizer manco. Riem.

Perguntam se sou cristão. Não, não sou. Então, você é muçulmano?

 

Rápidas

O vice-almirante (RM1) Wilson Pereira de Lima Filho, ex-diretor de Portos e Costas, assumiu o cargo de presidente do Tribunal Marítimo, anteriormente exercido pelo vice-almirante (RM1) Marcos Nunes de Miranda *** A FGV realiza dia 9, das 8h30 às 13h30, no Rio de Janeiro, oficina de lançamento oficial do FGVnest – Núcleo de Estudos em Startups, Inovação, Venture Capital e Private Equity. Inscrições: www.fgv.br/eventos/?P_EVENTO=4016&P_IDIOMA=0 *** Neste domingo, o Center Shopping Rio apresenta a contação de história A Bela Adormecida e a Fada Malvada, a partir das 17h *** Como lidar com os conflitos em condomínios é o tema da próxima edição do Ciclo de Palestras do Secovi-SP, dia 14, das 18h30 às 21h30. Mais informações: (11) 5591-1306 *** “Viver e Residir em Portugal” é o seminário que o Ibef-Rio realizará em 22 e 23 de agosto, na Av. Rio Branco, 156, Conj. 402/4º andar – Ala C, Centro – RJ.

 

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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