Escassez de matéria prima pode encarecer produtos no Natal

Maior consumo e perda de valor do real são as principais razões.

Conjuntura / 20:47 - 18 de nov de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Está havendo uma escassez de insumos e matérias-primas na indústria e no comércio, reflexo principalmente da pandemia de coronavírus, analisa Sandra Façanha, professora dos cursos de Graduação e Pós-graduação da Fecap.

Segundo a especialista, existem fatores que influenciam esse comportamento: um maior consumo no mercado interno (ainda propiciado pelo auxílio emergencial governamental), além do aumento de consumo em determinados países (caso da China), mas também porque o real acumulou uma queda em torno de 40% frente ao dólar ao longo de 2020.

Há uma escassez de insumos, especialmente de algumas commodities agrícolas, como é o caso amplamente divulgado do arroz, mas também da soja, do milho (alta de quase 30% apenas em outubro de 2020) e da carne”, diz.

Além disso, nunca na história recente do Brasil a exportação foi tão lucrativa. Desde o Plano Real em 1994, apesar de alguns picos, em nenhum momento a taxa cambial havia superado a barreira dos R$ 5. Também por este mesmo motivo, as importações sofrem de forma inédita, o que contribui para a enorme dificuldade de o país buscar uma compensação desses insumos no exterior.

Para a especialista, o fenômeno pode encarecer os produtos, logo agora no período que antecede o Natal. “Sem dúvidas os fatores acima contribuem enormemente para elevação de preços, especialmente nesta Black Friday. Em geral, as empresas vão tentar ganhar tanto na margem quanto no volume (não é uma opção) para recuperar o que foi perdido e de forma rápida.”

A especialista finaliza dizendo que nem sempre as empresas que detêm um grande volume de produtos são aquelas dispostas a fazer um bom preço. “Essa é uma lição que todos nós já deveríamos ter aprendido. Além disso, se existe um bom hábito que muitos de nós adquirimos nesta pandemia é o de valorizar o comércio local, ajudar ao pequeno e médio empresário”, completa.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor