Editais beneficiam escolas de samba e blocos de ligas

Foram lançados, no Rio, nesta quarta-feira de cinzas, editais de cerca de 1,5 milhão para apoiar transmissões online para a escolha de sambas-enredo das escolas do Grupo Especial e de apresentações virtuais de blocos de rua ligados à Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (Sebastiana) e à Associação Amigos do Zé Pereira, incluindo o Cordão da Bola Preta. O lançamento foi feito pelo governo do estado.

Os recursos sairão do Fundo Estadual de Cultura. A intenção é que o dinheiro chegue às pessoas que integram a cadeia produtiva do carnaval, que este ano, com a suspensão dos desfiles das escolas de samba e dos blocos de rua, por causa da pandemia de covid-19, ficaram sem renda.

Desta vez, a ação da Secretaria de Cultura vai garantir renda para profissionais que atuam nas escolas Imperatriz, Mangueira, Salgueiro, São Clemente, Paraíso do Tuiuti, Portela, Unidos da Tijuca e Vila Isabel. Cada agremiação uma vai receber R$ 150 mil. A escolha dos sambas-enredo será feita em quatro etapas, todas com transmissão pela internet. As apresentações eliminatórias e as finais ocorrerão na Cidade do Samba, região portuária do Rio.

Antes disso, as escolas Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Viradouro e Grande Rio já tinham sido contempladas com recursos da Lei Aldir Blanc no mesmo valor, cada uma.

Para as associações ou liga de blocos de rua, haverá patrocínios de R$ 100 mil e R$ 50 mil para cada uma. As apresentações dos blocos ligados à Sebastiana e à associação Amigos do Zé Pereira, que se juntou ao Bola Preta, devem ocorrer em uma casa de espetáculos em data a ser definida. Os shows, transmitidos pela internet, terão também público restrito, seguindo as regras de prevenção contra a covid-19. A Secretaria de Cultura está finalizando o levantamento de projetos aprovados na Aldir Blanc inscritos por associações e ligas de carnaval para incluir mais ações.

Na cerimônia, no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, o governador em exercício, Cláudio Castro, disse que, mais do que uma preocupação com a cultura, a falta de rendimentos dessas pessoas o preocupa. “O que mais me deixou aflito neste carnaval foi cada emprego que não foi criado, foi aquela pessoa que não trabalhou. É além da cultura. É a vida de cada ser humano que importa hoje.”

Castro destacou que, mesmo com a dificuldade financeira que o estado vem atravessando com o período de recuperação fiscal, foi possível garantir os recursos do Fundo Estadual de Cultura. Segundo Castro, apesar de não terem valor elevado, junto com outras participações, os recursos vão ajudar as pessoas que ficaram sem renda por causa da pandemia .

“Pegar esse dinheiro para ajudar as pessoas tem o significado de olhar para a cultura, olhando para a pessoa. Não tenho dúvida de que, quando se olha para cada pessoa que não trabalhou, e com toda a dificuldade que o estado tem, consegue-se ajudar e se prepara o carnaval do ano que vem. Prepara-se um ano de solidariedade”, observou.

Para o deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PSC), que participou das negociações com a Secretaria de Cultura, para a liberação dos recursos, a falta dos desfiles foi um golpe forte para as escolas e para quem vive da montagem do carnaval. Ele prometeu um espetáculo em dobro em 2022. “Hoje é o primeiro passo da grande retomada do carnaval de 2022. Conversei com a Rita, presidente da Sebastiana, que reúne os blocos, e no ano que vem vamos fazer um carnaval dobrado. Um carnaval que vai ter dois juntos e de repente vai ter um supercampeonato”, disse o deputado, destacando que as escolas de samba não fazem apenas carnaval, mas desenvolvem projetos sociais nas comunidades.

“Com certeza, no ano que vem, vai ser um carnaval mais lindo ainda porque a gente vai ter tempo para se preparar, e a experiência deste ano, com certeza, vai deixar o nosso coração mais cheio de vontade de fazer um lindo carnaval”, disse o governador Cláudio Castro.

A secretária de Cultura, Danielle Barros, prometeu outros projetos para ainda este ano. “Esta é uma de outras iniciativas que a Secretaria de Cultura do estado do Rio de Janeiro implementará no ano de 2021 para fazer a arte acontecer”, afirmou.

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