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“Há mais de dez métodos consistentes de avaliar o produto potencial. E cada um apresenta um resultado diferente”. A frase é do economista Miguel Bruno, pesquisador do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), ao criticar a tese recorrente de que o país não tem produto potencial para crescer a taxas semelhantes à da China ou da Índia sem disparada dos preços. “É mais cômodo dizer que não há capacidade de produção do que admitir que a forma de inserção internacional é que cria problemas estruturais e macroeconômicos para o país”, acrescenta Bruno.

“Imexível”
O pesquisador pondera ainda que, numa economia aberta, parte da demanda pode ser atendida pelas importações, amenizando a pressão sobre os preços. “Mas não quer dizer que isso não seja problema também. O Brasil mesmo está vivendo um déficit em conta corrente crescente”. Bruno, no entanto, reiterou que a chamado produto potencial “é mais uma desculpa para não mexer no arcabouço institucional que começou a ser construído no governo Collor até chegar ao modelo atual”.

Dilma Kubitschek?
Ao destacar que o Brasil não pode achar “absolutamente natural” só exportar produtos básicos, se limitando a “tirar do chão” a riqueza nacional para exportá-la, a presidente Dilma Rousseff tem seu momento JK.
Para horror dos que garantiam que o Brasil estava destinado ser uma mera fazenda do Ocidente, Juscelino Kubitschek, em sua cruzada para consolidar a industrialização brasileira, pregava que o país abandonasse a mentalidade agrária.
No entanto, para que a convergência entre os pensamento dos dois presidentes se concretize, Dilma precisa mudar um modelo fortemente desindustrializante, com juros astronômicos, câmbio valorizado e ajuste fiscal permanente. Sem essa virada, em lugar de agregar valor estratégico à produção nacional, a presidente apenas agregará retórica desenvolvimentista a um discurso sem consequências.

Crédito roubado
O preço cobrado por informações de cartão de crédito roubadas pela Internet pode variar de US$ 0,07 a US$ 100 em fóruns secretos. Entre os fatores que ditaram os preços estão a raridade do cartão e os descontos oferecidos para compras em volume. O dado é da pesquisa sobre pragas virtuais da Symantec.

Ataques quase dobram
As violações de dados causadas por hackers resultaram, em média, em mais de 260 mil identidades expostas por violação em 2010. Houve 93% de aumento nos ataques; o número de novas vulnerabilidades encontradas em sistemas operacionais móveis – de celulares, por exemplo – aumentou de 115, em 2009, para 163.

Sem vacina
Outro dado interessante da pesquisa da empresa de segurança virtual é que 74% das mensagens de spam estavam associados a produtos farmacêuticos.

Destino
A BM&FBovespa lançou o “Em Boa Companhia – Programa de Sustentabilidade com Empresas”, com o objetivo de aprofundar as discussões sobre o impacto da gestão de sustentabilidade e do investimento social na rotina das companhias. Se tiver o mesmo destino do finado POP, produto teoricamente popular da Bolsa, a sustentabilidade continuará apenas nas campanhas de marketing.

Senzala hight tech
O anúncio de que a Foxconn pretende, em troca de benefícios resultantes de renúncias fiscais, se instalar no Brasil para montar tablets deve acender o alerta no Governo Dilma Rousseff, para evitar novas surpresas provocadas por explosões sociais, como as ocorridas em Jirau e Santo Antônio, em Rondônia. Dono de uma empresa com prática sistêmica de suicídios no interior da China devido às condições de trabalho, Terry Gou considera “muito altos” os salários dos trabalhadores brasileiros.

“Muderno” com sangue
Como a Foxconn, com suas práticas trabalhistas pré-Revolução Industrial, é uma das principais fornecedoras da Apple, vê-se que, por baixo do verniz muderninho do Vale do Silício e equivalentes, esconde-se o velho rosto brutal do colonialismo.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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