Espaçolaser (ESPA3): resultado do 3T25, avanços e perspectivas

Nesta entrevista, Fabio Itikawa explica os impactos do trabalho de reestruturação do passivo financeiro da Espaçolaser nos seus resultados.

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Conversamos sobre o resultado do 1T25 da Espaçolaser com Fabio Itikawa, CFO da companhia.

Qual a sua avaliação sobre o resultado do 3T25 da Espaçolaser?

Eu sempre gosto de ressaltar as prioridades que a companhia definiu para 2025, sendo que a primeira foi a recomposição de preços. Apenas para que possamos recapitular, desde o início de 2024, a companhia vem reajustando a sua tabela de preços e melhorando o mix ofertado para combinar áreas do corpo que geram um maior valor agregado com o intuito de melhorar o nosso ticket médio. Por exemplo, no acumulado do ano, o reajuste de tabela foi de quase 40%.

Apenas para que tenhamos um parâmetro, o System Wide Sales cresceu 3,5% no 3T25 comparado ao 3T24, ou seja, além do que já havíamos reajustado em 2024, nós crescemos 3,5% no 3T25, sendo que no acumulado do ano (9M25), o crescimento foi de 8,8%. Da mesma forma, o Same-Store Sales (SSS) cresceu 2,4% no 3T25 em relação ao 3T24 e 7,1% no 9M25, e o ticket médio cresceu 8,1% no 3T25 em relação ao 3T24 e 13,1% no 9M25. Com isso, a receita líquida cresceu 10,4% no 3T25 em relação ao 3T24, e 7,6% no 9M25. 

Nós estamos colhendo os frutos dessa estratégia comercial, mas sabíamos que poderíamos perder um pouco de volume, mas essa queda foi muito mais compensada pelo aumento de preço, redução de descontos e melhora de mix. É claro que isso tem um limite, mas estamos conseguindo implementar a estratégia de reposicionamento de preço.

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A segunda prioridade é o trabalho de eficiência operacional, sendo que nós temos um projeto importante que trata do gás de resfriamento. Como esse consumível tem um custo relevante para a nossa operação, além de ser dolarizado, o nosso objetivo é substituí-lo por uma máquina de resfriamento epidérmico. Pelo nosso guidance, até o final do ano, 70% das nossas lojas têm que estar com essa máquina de resfriamento, sendo que nós já alcançamos 63% no 3T25. Como consequência, nós conseguimos reduzir o custo de gás na operação em torno de R$ 5 milhões apenas no 3T25.

Para que tenhamos um parâmetro, em 2024 esse custo foi de, aproximadamente, R$ 32 milhões. Assim, à medida em que implementarmos essa máquina de resfriamento nas nossas unidades, nós vamos capturar ainda mais essa redução de custo. Além disso, existe todo um trabalho para sermos mais austeros no controle de custos para alocarmos melhor os recursos em projetos que gerem resultados mais rápidos para a companhia.

Com relação às despesas, nós tivemos uma redução de 9%, sendo que as despesas comerciais foram reduzidas em 10% devido a uma melhor alocação de recursos de marketing. Como consequência, o nosso lucro bruto cresceu 15% no 3T25 e a nossa margem bruta passou de 33,6% no 2T25 para 35% no 3T25, sendo que no acumulado do ano ela passou de 37,2% no 9M24 para 38% no 9M25. Além disso, o Ebitda cresceu 4,3%, com a margem praticamente estável no trimestre, mas passando de 22,9% no 9M24 para 23,3% no 9M25.

A terceira prioridade é a melhora da experiência do nosso cliente, com investimentos tanto nas nossas unidades, quanto no digital. Com isso, o nosso NPS, que já é alto, subiu de 85,3 pontos no 3T24 para 87,3 pontos no 3T25.

A quarta prioridade é o aumento da eficiência da nossa estrutura de capital. Além de concentrarmos todas as dívidas na empresa operacional, o que nos dá uma melhor eficiência fiscal, nós estamos trabalhando na redução do nosso custo de endividamento. Por exemplo, no 3T25, nós fizemos uma captação de R$ 70 milhões a um custo de CDI + 2,95% pelo prazo de 5 anos. Como essa captação foi feita através da nossa empresa operacional, a Corpóreos Serviços Terapêuticos S/A, nós temos o benefício da despesa financeira para dedução do Imposto de Renda.

Em paralelo, a Espaçolaser está trabalhando na redução da sua alavancagem, tanto que nós tivemos mais um trimestre em que a relação dívida líquida/Ebitda foi reduzida, passando de 2,0x no 2T25 para 1,9x no 3T25. Essa redução não se refere apenas ao indicador, mas também à dívida líquida, que foi reduzida em torno de R$ 30 milhões no 3T25.

Nós também tivemos uma boa reestruturação do nosso passivo financeiro. Isso porque, em conjunto com a captação de R$ 70 milhões que fizemos em set/2025, nós captamos R$ 593 milhões em out/2025, o que nos possibilitou liquidar R$ 682 milhões de dívida. Com isso, nós concentramos todas as dívidas na empresa operacional, o que nos possibilita melhorar a geração de caixa por causa do benefício fiscal, e melhorar o nosso perfil de endividamento, já que captamos uma dívida de R$ 593 milhões por CDI + 3,25% para liquidarmos uma dívida de CDI + 4,5%, além de alongarmos o nosso cronograma de amortização pelos próximos 5 anos. Esse foi um passo importante para que possamos ter um balanço mais forte que nos possibilite fazer os investimentos necessários para melhorarmos a eficiência da operação.

Apenas para completarmos essa questão da alavancagem, mesmo com um capex de R$ 15 milhões no 3T25, sendo que grande parte desse valor foi alocado no projeto da máquina de resfriamento, a companhia reduziu a sua dívida líquida.

Por fim, vale destacar que em outubro nós anunciamos a venda de quatro lojas próprias para franqueados da rede, sendo duas em Bauru e duas em Macaé. Como a gestão de loja é um pouco onerosa, pois é preciso ter uma equipe que visite as lojas, nós começamos a pensar na otimização do nosso portfólio de lojas próprias, tendo como prioridade a concentração de unidades em regiões mais estratégicas, como as grandes capitais do país.

Essas vendas foram muito importantes, pois por mais que o valor total tenha sido pequeno, R$ 6,6 milhões, em termos de múltiplos, o valor foi muito expressivo. Isso porque, como as quatro lojas geraram, em 2024, R$ 6,7 milhões em vendas e contribuíram com cerca de R$ 1 milhão para o Ebitda consolidado da companhia, essa venda foi muito boa em termos de valuation, pois o valor de venda pelo Ebitda gerado foi, mais ou menos, de 6,6x. Apenas para que possamos fazer uma comparação, a Espaçolaser está sendo negociada a 3,5x, 4x o valor dos ativos sobre o Ebitda, ou seja, apesar da transação ter sido pequena, nós fizemos a venda por um múltiplo bem superior ao múltiplo pelo qual a Espaçolaser é negociada em Bolsa, o que mostra o expressivo valor das lojas no nosso negócio.

Como está o desempenho da empresa no ano?

No acumulado do ano, o destaque foi o crescimento do lucro líquido ajustado, que cresceu 76,2% em relação ao 9M24, muito por conta do trabalho de melhora da nossa eficiência, que se refletiu no crescimento do nosso top line, 7,6%; do lucro bruto, 9,9%, e do Ebitda, 9,2%.

Como está o trabalho de aumento da eficiência operacional da Espaçolaser?

Um ponto importante do aumento da eficiência operacional da Espaçolaser está relacionado à reestruturação do seu passivo financeiro e a potencial redução da sua carga tributária. Até set/2025, nós tínhamos uma alíquota efetiva de Imposto de Renda de, aproximadamente, 80%, bem superior à alíquota teto de 34%. Com a reestruturação, como as despesas financeiras, que estavam na holding não operacional (MPM Corpóreos S/A), passaram para a empresa operacional, a estimativa é que a alíquota efetiva fique em 12,2%. Isso teria economizado R$ 17 milhões de Imposto de Renda que foram pagos ao longo de 2025.

Olhando para a frente, como 100% da dívida está na empresa operacional, isso vai melhorar a nossa geração de caixa, pois vamos ter o benefício do Imposto de Renda, sem contar a redução do custo da nossa dívida, que saiu de CDI + 4,5% para CDI + 3,25%.

Como está a geração de caixa da Espaçolaser?

Em termos operacionais, nós tivemos uma forte geração de caixa no 3T25, tanto que a nossa conversão de Ebitda em caixa foi de 183%. Nós alcançamos esse índice melhorando o nosso capital de giro através da redução do prazo médio de recebimento, o que trouxe um efeito de cerca de R$ 15 milhões no 3T25.

Olhando para a frente, a redução do custo do gás de resfriamento, da taxa efetiva de Imposto de Renda e do nosso custo de endividamento, vão melhorar, ainda mais, a geração de caixa da companhia.

A relação dívida líquida/Ebitda vem caindo de forma consistente, passando de 2,5x no 3T23 para 2,2x no 3T24, e chegando a 1,9 no 3T25. Existe uma relação dívida líquida/Ebitda que a Espaçolaser considera ideal?

Na minha visão, a relação de 1,9x é um patamar confortável para fazer a gestão do nosso portfólio, pois estamos conseguindo trabalhar a geração de caixa, reduzir o endividamento e fazer os investimentos necessários para termos mais eficiência na operação. Um patamar inferior abriria espaço para investimentos maiores na modernização do nosso parque de máquinas, mas não existe um número mágico.

Em agosto, a Espaçolaser transformou 6 lojas no formato Laser Shop em barbearias temporárias com foco no público masculino. Isso foi uma ação pontual ou essa experiência aponta um novo caminho?

Boa pergunta. Hoje, 86,5% do nosso público é feminino e 13,5% é masculino, o que mostra o potencial que temos para explorar o público masculino. Cabe destacar que depois da iniciativa do Laser Shop, o público masculino saltou de 12,5% no 3T24 para 13,5% no 3T25.

Essa ação não foi pontual, pois a companhia está desenvolvendo planos para que possamos trazer o público masculino para a depilação a laser e aumentar a sua participação na nossa base de clientes.

Qual a expectativa da Espaçolaser para as vendas do 4T25?

Nós estamos otimistas. Em outubro, as vendas ficaram dentro das nossas expectativas, e em novembro, as vendas estão performando dentro do esperado. Além disso, nós já nos preparamos para a Black Friday que vai acontecer no final do mês.

Como, historicamente, os meses de outubro e novembro são os dois melhores meses em termos de vendas, nós nos programamos para esse período desde o início do semestre.

Como você está vendo as perspectivas da Espaçolaser?

É sempre importante olharmos o filme da Espaçolaser. O trabalho que está sendo realizado foi iniciado no segundo semestre de 2023. Como entre o final de 2024 e início de 2025, nós definimos o plano estratégico para o curto, médio e longo prazo, nós temos muito claro onde queremos chegar e o prazo para fazermos isso.

Como estamos dentro do que nos propusemos a fazer, as expectativas são boas para a Espaçolaser. A companhia tem 21 anos de existência e o nosso plano estratégico tem como horizonte os próximos 20 anos. Nós temos muita clareza das alavancas que precisam ser mexidas e já estamos conseguindo colher esses resultados.

Considerando a nossa conversa, você gostaria de acrescentar algum ponto à sua entrevista?

Eu gostaria de ressaltar as conquistas que estamos conseguindo ao longo do tempo, como o projeto do resfriador e a reestruturação do nosso passivo financeiro. Além disso, nós temos o trabalho do top line, com foco no aumento do ticket médio e na eficiência da nossa operação. Esses são os pontos importantes que eu gostaria de ressaltar para finalizarmos a nossa entrevista.

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