Especialistas alertam sobre consequências de tarifas adicionais da UE sobre veículos elétricos da China

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Visitante experimenta modelo Yangwang U9, da BYD, durante uma exposição de marcas chinesas entre os eventos do Dia de Marca da China 2024, em Shanghai, leste da China, em 11 de maio de 2024. (Xinhua/Fang Zhe)
Xinhua - Silk Road

Beijing, 13 jun (Xinhua) — O anúncio da Comissão Europeia de tarifas provisórias sobre veículos elétricos (VE) fabricados pela China é feito com base em pretextos falsos e não apenas prejudicará a economia do bloco, mas também impedirá a realização das metas climáticas, de acordo com integrantes da indústria automobilística, associações de comércio e observadores do setor entrevistados pela Xinhua.

A Comissão Europeia revelou na quarta-feira seu plano de impor tarifas adicionais provisórias de até 38,1% sobre os veículos elétricos fabricados na China.

   AÇÃO INJUSTA

Além de repreender a justificativa dada para as tarifas como ilegítima, especialistas e membros do setor usaram termos como “protecionismo”, “politização” e “padrão duplo” para expressar sua oposição à medida.

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Expressando sua “profunda preocupação e pesar” sobre a decisão da Comissão Europeia, a SAIC Motor pediu nesta quinta-feira que a União Europeia (UE) evite “estabelecer artificialmente barreiras comerciais para VEs” e salvaguarde a igualdade das condições de concorrência.

A SAIC Motor afirmou que a empresa “vem dependendo da inovação tecnológica, em vez de subsídios do governo” para fornecer aos consumidores dentro e fora da China produtos verdes e de qualidade, observando que o grupo investiu quase 150 bilhões de yuans (US$ 21,09 bilhões) em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias essenciais, como nova energia e rede inteligente, durante a última década.

Li Bin, fundador de uma das principais montadoras elétricas chinesas, a NIO, observou em uma entrevista à Xinhua que as questões relacionadas a veículos elétricos não devem ser politizadas.

“Acreditamos que bons produtos e bons serviços devem estar disponíveis para os usuários em todo o mundo”, disse Li.

Ecoando a opinião de Li, a NIO emitiu um comunicado na quarta-feira: “Nós nos opomos fortemente ao uso de tarifas mais altas como uma estratégia para obstruir o comércio global normal de veículos elétricos”.

“Na Europa, o compromisso da NIO com o mercado de veículos elétricos permanece inabalável e continuaremos a atender a nossos usuários e a explorar novas oportunidades na Europa, apesar do protecionismo”, acrescentou.

A Associação Chinesa de Fabricantes de Veículos Automotores (CAAM, em inglês) divulgou um comunicado na quarta-feira acusando o lado europeu de práticas inadequadas durante a investigação contra os fabricantes chineses de veículos elétricos, incluindo “predeterminar os resultados da pesquisa, fazer uma seleção tendenciosa das empresas da amostra, expandir arbitrariamente o escopo da investigação e distorcer os resultados”.

“Esperamos que a Comissão Europeia não considere o atual comércio de veículos completos – uma fase inevitável no desenvolvimento da indústria – como uma ameaça de longo prazo”, diz o comunicado, além de advertir contra “politizar questões econômicas e comerciais, abusar de medidas de defesa comercial e distorcer as cadeias industriais e de suprimentos automotivas globais”.

   O TIRO PODE SAIR PELA CULATRA

Especialistas acreditam que as novas tarifas causarão um aumento antecipado nos custos do consumidor na UE e serão um mau presságio para a economia já lenta do bloco.

A imposição de tarifas da UE sobre VEs da China poderia afetar negativamente a economia da Europa, bem como as empresas e os consumidores relacionados, argumentou Zheng Yun, sócio sênior da Roland Berger, uma empresa de consultoria de estratégia global.

Os motoristas de automóveis alemães entrevistados pela Xinhua fizeram avaliações positivas dos modelos de veículos elétricos chineses que experimentaram.

Eugen Richter, proprietário de um carro MG4 da fabricante chinesa SAIC Motor, disse que o chassi, o desempenho, os equipamentos e o consumo de combustível do veículo são ótimos, considerando que a relação preço-desempenho é “muito melhor do que um Cupra ou um Volkswagen”.

Outro consumidor alemão, Chris Brill, disse que a fabricante chinesa de veículos elétricos BYD, em particular, provou sua competência na produção de baterias. “Nesses componentes-chave, a situação é bastante ruim na Europa”, disse Brill.

Bill Russo, fundador e CEO da Automobility Limited, disse em uma entrevista à Xinhua que as empresas chinesas de veículos elétricos têm uma vantagem de custo de 30% a 50%. A imposição de tarifas sobre os veículos elétricos chineses aumentará seriamente a inflação na UE.

Tarifas adicionais terão um impacto negativo não apenas sobre os fabricantes chineses de carros elétricos, mas também sobre muitas montadoras ocidentais que produzem na China, acrescentou Russo.

Além disso, as tarifas adicionais podem distorcer a dinâmica do mercado, sufocar a inovação e impedir a concorrência benigna e o autoaperfeiçoamento da indústria automotiva local na Europa, de acordo com Russo.

Maximilian Butek, diretor-executivo e membro do conselho da Câmara de Comércio Alemã na China-Leste da China, expressou preocupação com as possíveis implicações das tarifas para o comércio entre a China e a Alemanha.

A economia alemã é voltada para a exportação e, portanto, depende de mercados livres e justos, disse Butek à Xinhua. Quaisquer restrições impostas a esses mercados poderiam prejudicar as empresas alemãs que operam globalmente, acrescentou ele, e, portanto, muitas empresas alemãs do setor automotivo se manifestaram contra tarifas adicionais.

   ANTIVERDE

Além disso, especialistas e membros do setor expressaram preocupação com o fato de que a imposição pela UE de tarifas adicionais sobre os VEs chineses poderia prejudicar a transição verde da Europa.

Butek disse que, à medida que os formuladores de políticas europeus priorizam a transição para a mobilidade verde, o acesso a VEs com preços razoáveis será crucial. “Estamos confiantes de que os mercados abertos, e não as tarifas, fornecerão a melhor solução para atingir esse objetivo”, disse ele.

Ma Xiaoming, analista-chefe de nova energia da Nomura Orient International Securities, citou uma projeção de que o aumento das tarifas reduziria as importações de VEs chineses pela UE. Embora as vendas de VEs produzidos localmente provavelmente aumentem na mesma proporção, isso significará custos mais altos para os consumidores, porque os custos de material e mão-de-obra são significativamente mais altos na UE, o que atrasaria o cumprimento das metas de transição energética da UE, de acordo com Ma.

Além disso, o aumento das tarifas provavelmente aumentará as tensões comerciais, complicará as relações comerciais entre a China e a Europa e poderá causar interrupções no mercado global de veículos elétricos, prejudicando, assim, a cooperação internacional em tecnologia verde, disse Feng Wei, pesquisador do instituto de neutralidade de carbono do Instituto de Tecnologia Avançada de Shenzhen, da Academia Chinesa de Ciências. Fim

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