Espelho invertido

Todas as digressões feitas, nesta sexta-feira, do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, sobre invasão de privacidade, ultrapassagem de limites e desrespeito pessoal podem ser aplicadas ao tratamento destinado ao caseiro Francenildo Costa pelo governo a que pertence o ministro. Nesse caso, diferentemente do que reclama Palocci, com o agravante do uso do aparelho do Estado para tentar blindar o próprio ministro em atividades não relacionadas com a defesa do interesse público.

Renomear
Homenageando no nome um dos principais pensadores econômicos do país, o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas de Desenvolvimento, enfrentou já no seu lançamento, esta semana, entrave básico para sua decolagem. Em discurso na inauguração, a presidente acadêmica do Centro, economista Conceição Tavares, estabeleceu premissa que, na prática, inviabiliza ou, na melhor hipótese, esteriliza o significado do centro: debater o desenvolvimento, porém, sem colocar em xeque a atual política econômica.
Como é impossível dissociar a constituição do pensamento de Furtado da luta política e ideológica contra os que consideravam o subdesenvolvimento do Brasil uma coisa do destino, a prevalecer a interdição proposta por Conceição, mais coerente seria rebatizar o instituto. Que tal, por exemplo, Otávio Bulhões? Ou para ser coerente com a marcha batida para a desindustrialização imposta ao país por cerca de 20 anos de pacto anticrescimento, Roberto Campos?

Fora do ar
A propósito do açodamento do governo para definir o padrão da TV digital a ser adotado no Brasil, esta coluna faz suas as palavras de ontem do nosso vizinho de página 3 Sérgio Barreto Motta: “Se o ministro das Comunicações não tem pressa em exigir aplicação do artigo 221 da Constituição – que obriga as TVs a apresentarem programação de alto nível cultural – não deveria também estar pressionando por rapidez quanto a uma escolha tão importante e estratégica para o país – e que pode até implicar a extensão do modelo para a vizinha Argentina.”

Pau-brasil
As exportações brasileiras são dependentes de dez commodities, lembra, em artigo, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, que lamenta o destino do país, na contramão do desenvolvimento: “Cabe lembrar que não vai dar para voltar ao pau-brasil, porque já acabamos com ele. Para país que tem a predestinação fatal de ser o único a ostentar o nome de uma commodity, resta um consolo: tem ainda muita floresta para devastar.”

Fama
Sobre nota publicada, quinta-feira, aqui em que representante chileno ironizava o anúncio feito por seu congênere brasileiro sobre a decisão do governo do país de permanecer no Haiti, leitor da coluna observa não se tratar de piada, mas de fato real. Diante dos risos dos presentes à reunião da Cepal em Santiago, no Chile, o representante deste país afirmou: “A ocupação do Brasil quer garantir que pelo menos a economia do Haiti crescerá menos que a do Brasil.”

Parados
A greve dos fiscais da Anvisa, que teve início há cerca de 15 dias, prejudica as empresas importadoras. Um dos setores que mais reclama reúne cerca de cem empresas filiadas à Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed). “Apesar de a Abimed ter conseguido três liminares liberando as mercadorias retidas nos aeroportos de Viracopos e Rio de Janeiro e no Porto de Santos, elas não inibiram o movimento grevista dos fiscais da Anvisa”, afirma Cláudio Marques, secretário-executivo da entidade.
No setor de saúde como um todo, cerca de 500 empresas sofrem com a retenção de suas mercadorias. Os fiscais da Anvisa retomaram a greve porque a agência não cumpriu acordo feito em novembro do ano passado, após a paralisação ocorrida na época.

Em alta
A instalação de 248 novos empreendimentos confirmados no Rio Grande do Sul, no período de janeiro de 2003 a março deste ano, somam investimentos de cerca de R$ 25 bilhões e geração de 49 mil postos de trabalho. Energia e celulose (matéria-prima de papel e papelão) lideram o ranking dos setores da economia gaúcha responsáveis pelos principais investimentos, somando R$ 15,5 bilhões e respondendo pela geração de 7,5 mil empregos. Seguem-se os segmentos metal-mecânico, químico/petroquímico e de produtos alimentícios. Ainda se destacam indústria tabagista, madeira, móveis e artefatos, bebidas, logística, eletro-eletrônica, borracha e têxtil.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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