Esperança de dias melhores

Por Paulo Alonso.

(deletar) Últimos Artigos (sem foto), Opinião / 17:15 - 17 de set de 2020

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A política brasileira está recheada de escândalos e dos mais diversos, e nos três níveis da República. Lamentavelmente, o brasileiro vive turbulências frequentes, com os desgovernos que assolam o país, além do drama do coronavírus – Covid-19, que já vitimou cerca de 135 mil pessoas e contagiou 4,5 milhões de indivíduos.

Se no Governo Federal, a troca das cadeiras é constante na Esplanada dos Ministérios, no Estado do Rio de Janeiro, a situação é esdrúxula, com casos de corrupção sendo noticiados, dia após dia, com processos de impeachment sendo frequentemente alardeados, para eventuais afastamentos dos chefes dos executivos. Quase todos os ex-governadores vivos do estado estiveram presos, um ainda está confinado e com penas que somam os 300 anos.

Diante desse quadro desalentador, o eleitor irá às urnas, dia 15 de novembro, para eleger os vereadores e prefeitos. Vários dos quais, nos últimos quatro anos, se prevaleceram dos seus mandatos para usá-los para si próprios e não os utilizaram para o bem da coletividade, que espera, de Norte a Sul do Brasil, por políticos mais dignos e vivamente comprometidos com o bem-estar da gente brasileira. As 15 maiores capitais do país reúnem 184 candidatos a prefeito, o maior número desde 1988, representando um aumento de 35% em comparação com as eleições de 2016.

Na Cidade do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, PT, ex-governadora do Estado, ex-senadora e ex-vereadora, atualmente deputada federal, é uma das concorrentes ao Palácio da Cidade, acompanhada do atual prefeito Marcelo Crivella, Republicanos, que concorre à reeleição. Antes, foi eleito em 2002 para o Senado Federal pela primeira vez, pelo antigo PL, atual PR. Foi reeleito em 2010, já pelo PRB, partido que ajudou a fundar. Foi ministro da Pesca e Aquicultura.

Além de Benedita e Crivella, também são candidatos Clarissa Garotinho, Pros, deputada federal, filha dos ex-governadores Garotinho e Rosinha; Cyro Garcia, PSTU, bancário aposentado e professor universitário e tendo sido candidato a prefeito em 1996, 2000, 2012, 2016; Eduardo Bandeira de Mello, Rede, ex-presidente do Flamengo, administrador de empresas e que, por 36 anos, atuou no BNDES; Eduardo Paes, DEM, que já exerceu o cargo de prefeito por oito anos, depois de ter sido vereador e deputado federal; Fred Luz, Partido Novo, engenheiro e empresário.

Ainda: Glória Heloiza, PSC, que se afastou formalmente da magistratura, em março, para concorrer na eleição. Era juíza titular da 2ª Vara da Infância, do Adolescente e do Idoso no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ); Hugo Leal, PSD, que foi presidente do Detran e está no quarto mandato de deputado federal; Luiz Lima, PSL, deputado federal em primeiro mandato, ex-atleta olímpico de natação, tendo disputado os jogos olímpicos de Atlanta, em 1996, e Sidney, em 2000; Martha Rocha, PDT, delegada aposentada da Polícia Civil e que está em seu segundo mandato como deputada, na Alerj; Paulo Messina, MDB, matemático, professor e exerce o terceiro mandato na Câmara de Vereadores; Renata Souza, Psol, jornalista, deputada estadual e, na Alerj, preside a Comissão de Direitos Humanos; e Suêd Haidar, PMB, que tenta pela primeira vez um cargo no Poder Executivo.

São vários os candidatos à prefeitura carioca e centenas de candidatos ao cargo de vereador. Um nome será eleito prefeito e 51 serão escolhidos para, nos próximos quatro anos, ocupar as cadeiras do Palácio Pedro Ernesto. Os eleitos precisarão demonstrar aptidão para trabalhar pela Cidade do Rio de Janeiro, em tempo integral, com inteligência, lucidez e disposição. Os problemas são vários, mas, com esforço e determinação, poderão ser resolvidos ou minorados.

Faltam educação, saúde pública, infraestrutura, habitação, em menor ou maior escala, mas em todas as cidades do Brasil afora. Falta, na verdade, dignidade política. Faltam comprometimento e seriedade com a causa pública.

Por essa razão, importante salientar que o voto, no regime democrático, apresenta força, poder e mudança. É chegada a hora de mudarmos e transformarmos esse Brasil continental, com votos conscientes e que possam fazer a diferença nos parlamentos municipais e que, em 2022, nas eleições gerais, o brasileiro volte novamente a votar por um Brasil melhor para todos os seus cidadãos.

Basta de tanta trapaça, de tantos aproveitadores da boa índole do povo. Basta de enganadores e de golpistas. Basta de ladrões.

O Brasil merece reunir políticos capazes e firmemente dispostos a lutar por um país mais digno, com igualdade e inclusão social e, sobretudo, resgatar a educação em todos os níveos, tornando-a, e definitivamente, uma política de estado e não de governo. Torcemos para que, nessas eleições que se avizinham, o eleitor vote de forma consciente, na esperança de dias melhores para nossa gente brasileira.

Paulo Alonso

Jornalista, é reitor da Universidade Santa Úrsula.

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