Esperando Fed e Copom

Exceto por Tóquio, Ásia fechou em queda; Europa e EUA operam no azul; aqui, seguimos esperando força para passar faixa de 102 mil pontos.

Opinião do Analista / 11:00 - 16 de set de 2020

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Ontem, os mercados da Europa e dos EUA encerraram o dia com ganhos, por conta de dados de conjuntura positivos da China, proximidade de aplicação de vacinas contra Covid-19 ainda nesse ano de 2020 e melhora prevista da economia global no terceiro e quarto trimestres. Aqui, a Bovespa e o câmbio ficaram travados boa parte do dia, depois do presidente Jair Bolsonaro ter abortado o programa Renda Brasil, por conta do noticiário falando em congelamento do salário mínimo e aposentadorias.

A Bovespa fechou então praticamente estável, com alta de 0,02% e índice em 100.297 pontos. O dólar em alta de 0,11%, cotado a R$ 5,28, enquanto o Dow Jones também estável (+0,01%) e Nasdaq em boa alta de 1,21%, com a recuperação das ações de tecnologia.

Hoje, mercados da Ásia fecharam em quedas, exceto a Bolsa de Tóquio com +0,09%. A Europa opera no campo positivo neste início de manhã e a tendência é a mesma para os futuros do mercado americano. Aqui, seguimos esperando que haja força para ultrapassar a faixa de 102 mil pontos do Ibovespa, seguindo depois até 104 mil, quando o mercado adquire maior consistência na recuperação.

Hoje os investidores vão trabalhar de olho na decisão do Fomc do Fed (às 15h) sobre política monetária e, principalmente, na coletiva do presidente Jerome Powell, explicando melhor como vão lidar com meta flexível de inflação. Aqui, depois de pregão encerrado, vamos avaliar o comunicado do Copom e buscar maiores informação sobre próximas reuniões de 2020. Para essa, é 100% de consenso de manutenção da Selic em 2,0%.

No Japão, Shinzo Abe renunciou formalmente ao cargo de primeiro-ministro por motivo de saúde e Yoshihide Suga foi eleito para a vaga. No Reino Unido, a inflação pelo CPI desacelerou para 0,2% (previsão era estável) e, no mês de agosto, deflação de 0,4%. Na Zona do Euro, o superávit comercial cresceu para 20,3 bilhões de euros (anterior em 16,0 bilhões de euros), fruto de exportações em alta de 6,5% e importações com +4,2%.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) melhorou a previsão de encolhimento do PIB global para -4,5% (anterior em -6,0%) e também para o Brasil, agora em queda estimada de 6,5% (já defasada), vindo de -7,4%.

Função do furacão Sally, ganhando força próximo da Flórida, o petróleo tem valorização no mercado internacional. Já a Casa Branca, espera uma proposta bipartidária para novo pacote de estimulo fiscal. O petróleo WTI negociado em Nova Iorque tinha boa alta de 2,46%, com o barril cotado a US$ 39,22. O euro era transacionado em US$ 1,188 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,68%. O ouro e a prata mostravam altas na Comex, enquanto as commodities agrícolas apresentaram um comportamento misto na Bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, depois de Bolsonaro abortar o programa Renda Brasil nessa gestão (seguirá com Bolsa Família), a equipe econômica vai se debruçar sobre a desoneração da folha de pagamentos e novo imposto. Parece certa a ideia de tributar dividendos e CPMF pouco provável. Já o Congresso está chamando para si o pacote social.

Como dissemos, os investidores vão ficar de olho nas decisões do Fed e Copom, mas o dia promete começar com alta da Bovespa, câmbio fraco e juros em queda. Mas teremos ainda outros indicadores como o IGP-10 de setembro e vendas no varejo nos EUA sendo anunciadas, o que pode mexer com os mercados em semana de vencimento de derivativos.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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