23.8 C
Rio de Janeiro
segunda-feira, janeiro 25, 2021

Espertalhões

Está em curso nova tentativa tunga ao bolso de aposentados e pensionistas. Patrocinada pelo Planalto e pelos interessados em terceirizar o segundo maior orçamento do país, o da Previdência, e dourada pela imprensa “chapa branca”, a nova cruzada destaca uma suposta boa idéia – a oferta de um bônus para quem se interessar em retardar a aposentadoria a que tem direito – para contrabandear o ignóbil – a redução de aposentadorias e proventos já parcos.
O golpe tem duas vertentes. A primeira é ampliar o prazo para cálculo da aposentadoria das últimas 36 contribuições para o conjunto da vida previdenciária das vítimas. Como, em geral, as pessoas começam a trabalhar ganhando menos do que receberão ao fim da vida profissional, a elasticidade do prazo pulverizará ganhos obtidos ao fim de 30/35 anos de labuta. Embora perversa, essa manobra tem seus efeitos mais facilmente detectáveis, inclusive por parlamentares governistas.
Já a introdução do fator previdenciário oculta uma tunga mais sofisticada. Embora apresente o estímulo ao adiamento da aposentadoria como um bônus, na prática, esse novo conceito pune os que pelos motivos mais variados – incluído entre eles não acreditar em governos que mudam as regras do jogo depois de a partida iniciada – não queiram postergar a aposentadoria.
O montante do orçamento da Previdência é grandioso demais, tanto socialmente como pela formação da poupança interna do país, para ser drenado para os bolsos de espertalhões, sem que ao menos a nação seja alertada do que isso representaria para seu futuro.

Fama
Nostradamus ganhou apelido nos círculos políticos mais irônicos de Brasília. Políticos que se consideram prejudicados com a manipulação de pesquisas passaram a se referir ao atormentado profeta francês como ibope.

Fernandinhos
Alguns analistas se disseram espantados com o fato de a rejeição ao presidente FH (59%) superar à de Collor, 57%  às vésperas do impeachment. Para os surpresos, a explicação é simples: Collor governou durante pouco menos de dois anos, enquanto FH se aproxima do quinto ano de governo, aplicando a mesma desastrosa política de seu sucessor.

Sem maquiagem
Investir e produzir no País, ao invés de se limitar a maquiar o que vem de fora, é o melhor negócio. Quem acabou de comprovar isso foi a Giroflex, fabricante de móveis para escritório de capital 100% nacional, que nos últimos três anos importou US$ 6 milhões de equipamentos, ferramentas e maquinário. Um acidente na Giroflex Suíça – alagamento da fábrica pelo rompimento de um dique no Rio Reno – provocou a interrupção da fabricação de componentes para honrar um pedido de 13 mil cadeiras. Pedindo socorro para a Giroflex Brasil, os suíços foram atendidos e conseguiram entregar a mercadoria a tempo. A companhia brasileira participa de um grupo de 16 empresas do mundo todo, num centro de desenvolvimento de produto na Suíça, dedicado ao estudo de novos materiais, conceito de ergonomia e design.

Publicistas
Engajada na campanha para alavancar a popularidade do presidente FH, a imprensa “chapa branca” publicou  a notícia sobre a redução de  5% do valor do pedágio em cinco rodovias federais como uma decisão de governo. Grande parte dos leitores, restritos às manchetes, ficou sem saber que a redução dos salgadíssimos preços das tarifas decorreu de decisão do Tribunal de Contas da União, que considerou ilegal a cobrança do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS) embutido na cobrança do pedágio. O que o jornalismo independente deveria perguntar ao governo é se a quantia cobrada indevidamente vai ser devolvida aos usuários ou debitada de futuros aumentos das tarifas.

Artigo anteriorFora daqui
Próximo artigoNovo tenentismo
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Incerteza da população ou dos mercados?

EUA e Reino Unido espalham suas expectativas para os demais países.

É hora de radicalizar

Oposição prioriza impeachment, mas sabe aonde quer chegar?.

Soja ameaça futuro do Porto do Açu

Opção por commodities sobrecarrega infraestrutura do país.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Copom está alinhado com maioria da expectativa do mercado

Considerando foco na inflação de 2022, estamos considerando agora que BC começará a aumentar Selic em maio e não em agosto.

Primeira prévia dos PMI’s e avanço da Covid-19

Bolsa brasileira sucumbe ao terceiro dia de queda, mediante aos temores fiscais.

Exterior em baixa

Queda acontece em meio às preocupações com problemas para obtenções de vacinas.

Más notícias persistem

Petróleo negociado em NY mostrava queda de 2,60% (afetando a Petrobras), com o barril cotado a US$ 51,75.

Mercado reagirá ao Copom e problemas internos

Na Europa, Londres teve alta de 0,41%. Frankfurt teve elevação de 0,77%. Paris teve ganhos de 0,53%.