Espertalhões

Está em curso nova tentativa tunga ao bolso de aposentados e pensionistas. Patrocinada pelo Planalto e pelos interessados em terceirizar o segundo maior orçamento do país, o da Previdência, e dourada pela imprensa “chapa branca”, a nova cruzada destaca uma suposta boa idéia – a oferta de um bônus para quem se interessar em retardar a aposentadoria a que tem direito – para contrabandear o ignóbil – a redução de aposentadorias e proventos já parcos.
O golpe tem duas vertentes. A primeira é ampliar o prazo para cálculo da aposentadoria das últimas 36 contribuições para o conjunto da vida previdenciária das vítimas. Como, em geral, as pessoas começam a trabalhar ganhando menos do que receberão ao fim da vida profissional, a elasticidade do prazo pulverizará ganhos obtidos ao fim de 30/35 anos de labuta. Embora perversa, essa manobra tem seus efeitos mais facilmente detectáveis, inclusive por parlamentares governistas.
Já a introdução do fator previdenciário oculta uma tunga mais sofisticada. Embora apresente o estímulo ao adiamento da aposentadoria como um bônus, na prática, esse novo conceito pune os que pelos motivos mais variados – incluído entre eles não acreditar em governos que mudam as regras do jogo depois de a partida iniciada – não queiram postergar a aposentadoria.
O montante do orçamento da Previdência é grandioso demais, tanto socialmente como pela formação da poupança interna do país, para ser drenado para os bolsos de espertalhões, sem que ao menos a nação seja alertada do que isso representaria para seu futuro.

Fama
Nostradamus ganhou apelido nos círculos políticos mais irônicos de Brasília. Políticos que se consideram prejudicados com a manipulação de pesquisas passaram a se referir ao atormentado profeta francês como ibope.

Fernandinhos
Alguns analistas se disseram espantados com o fato de a rejeição ao presidente FH (59%) superar à de Collor, 57%  às vésperas do impeachment. Para os surpresos, a explicação é simples: Collor governou durante pouco menos de dois anos, enquanto FH se aproxima do quinto ano de governo, aplicando a mesma desastrosa política de seu sucessor.

Sem maquiagem
Investir e produzir no País, ao invés de se limitar a maquiar o que vem de fora, é o melhor negócio. Quem acabou de comprovar isso foi a Giroflex, fabricante de móveis para escritório de capital 100% nacional, que nos últimos três anos importou US$ 6 milhões de equipamentos, ferramentas e maquinário. Um acidente na Giroflex Suíça – alagamento da fábrica pelo rompimento de um dique no Rio Reno – provocou a interrupção da fabricação de componentes para honrar um pedido de 13 mil cadeiras. Pedindo socorro para a Giroflex Brasil, os suíços foram atendidos e conseguiram entregar a mercadoria a tempo. A companhia brasileira participa de um grupo de 16 empresas do mundo todo, num centro de desenvolvimento de produto na Suíça, dedicado ao estudo de novos materiais, conceito de ergonomia e design.

Publicistas
Engajada na campanha para alavancar a popularidade do presidente FH, a imprensa “chapa branca” publicou  a notícia sobre a redução de  5% do valor do pedágio em cinco rodovias federais como uma decisão de governo. Grande parte dos leitores, restritos às manchetes, ficou sem saber que a redução dos salgadíssimos preços das tarifas decorreu de decisão do Tribunal de Contas da União, que considerou ilegal a cobrança do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS) embutido na cobrança do pedágio. O que o jornalismo independente deveria perguntar ao governo é se a quantia cobrada indevidamente vai ser devolvida aos usuários ou debitada de futuros aumentos das tarifas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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