Espírito

O massacre promovido por Israel na Faixa de Gaza, em pleno período das festas de fim de ano, reafirma que Natal e Ano Novo deveriam ter outros valores bem mais considerados que os apenas meramente comerciais. Afinal, se, nem na região considerada o mito fundador do cristianismo, um dos exércitos mais bem armados do mundo não se constrange em matar centenas de pessoas neste período, o que esperar de áreas, digamos, mais pagãs.

Novos tempos
As empresas que operam ônibus intermunicipais do Estado do Rio de Janeiro não ficaram só com 10,8% de aumento (mais que o IGP-M do ano) nas tarifas; vão receber também do Governo Sérgio Cabral pagamento pelas gratuidades (estudantes, idosos etc.), que atualmente já estão incorporadas no cálculo de aumento das passagens. Antes, para conseguir tanto, só após convenientes greves dos rodoviários.

Comer, comer
Falando em Governo do Rio, a Associação Beneficente dos Subtenentes e Sargentos da PM fluminense (Aspom) contesta justificativa para trocar o rancho dos policiais por tíquete refeição ou pagamento em dinheiro. Em primeiro lugar, Íris Barbosa, presidente da Aspom, informa que poucos PMs que hoje se dedicam a preparar as refeições poderão reforçar o patrulhamento nas ruas: “Grande parte desse efetivo é formado por militares com insuficiência física parcial (IFP), de forma que não estão fisicamente preparados para atuar nas ruas”.
O presidente da entidade lembra que o uso de tíquete para compra de alimentos já ocorreu no passado e os vales acabavam sendo vendidos pelos policiais.
Mas o argumento definitivo é o financeiro: Barbosa diz que a medida vai gerar aumento de 25% nas despesas operacionais.
Essa coluna gostaria de saber quanto será pago de taxa de administração às empresas de tíquete refeição. Qualquer percentual acima de 3% será um escândalo.

Semelhança
Aliás, os leitores já repararam como, a cada dia que passa, o governador Sérgio Cabral mais se parece (nas expressões faciais) com o presidente dos EUA, George W. Bush?

Higiene
Ao defender a fundação Cacique Cobra Coral (que define como sua missão “minimizar catástrofes que podem ocorrer em razão dos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza”), o prefeito em retirada do Rio de Janeiro, Cesar Maia, afirmou:
“Há oito anos que as chuvas no Rio podem até gerar alagamentos, mas nunca mais ocorreram cenas e imagens de rios caudalosos e barcos improvisados pelas ruas e carros boiando e gente morrendo e famílias desalojadas, como vimos nestes anos em centenas de cidades brasileiras. E apenas poucas vezes houve problemas com encosta, mas sem um morador perto e sem precisar de obras de contenção: apenas limpeza.”
Então o que está sendo feito há um ano e dois meses na encosta sobre o Túnel Rebouças deve ser a maior operação de limpeza do mundo.

Ooops!
Talvez um certo exagero no consumo de bons vinhos no Natal tenha levado essa coluna a publicar uma nota sobre a crise financeira e a defesa pela ONU de maior controle sobre os mercados financeiros com o título “Sem-terra: fila de 60 mil”. Pelo menos até agora, ninguém acusou o MST de provocar a crise financeira global.

Última chamada
Acaba no próximo dia 31 o prazo para quem tinha caderneta de poupança em janeiro de 1989 entrar na Justiça contra as perdas inflingidas pelo Plano Verão (1989). A advertência sobre o prazo é do escritório Caram, Marcos Garcia e Tavares de Almeida Advogados. Os advogados do escritório lembram que o Judiciário tem acolhido a reivindicação dos poupadores, obrigando os bancos, além de arcar com a diferença no indexador aplicado, a pagar os juros dos contratos de caderneta de 0,5% ao mês desde a data em que a correção deixou de ser realizada. Quem tinha, por exemplo, NCz$ 1 mil (um mil cruzados novos) em janeiro de 1989 tem direito a receber hoje, em torno de R$ 3 mil do banco no qual tinha a poupança.

Um pouco mais
Outros advogados, porém, entendem que o prazo para recorrer contra as perdas do Plano Verão – comandando por Maílson da Nóbrega – vai até março que vem, quando a tunga completaria dez anos.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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