Esqueça o ‘siga o líder’; o campeonato está aberto

Há uma tentativa, em toda eleição, de se atribuir às pesquisas um papel preponderante. Em meio a um discurso que busca...

Há uma tentativa, em toda eleição, de se atribuir às pesquisas um papel preponderante. Em meio a um discurso que busca demonizar a política, substitui-se o debate político pela análise de números, aguardados ansiosamente pela mídia e pelo mercado financeiro a cada semana, ou em intervalos menores. A meta da primeira é conseguir destaque para os nomes que ela própria prioriza; o segundo quer combustível para especulação.

Como abordado aqui semana passada, o problema é que as pesquisas estão cada vez mais distantes da realidade que sai das urnas. Nesta eleição, o certo é que há muita indefinição. Isto, até os levantamentos feitos pelos diferentes institutos mostram: algo como 40% dos eleitores não definiram seu candidato, ou não se vêm representados em nenhum deles; boa parte dos que são forçados a se definir pela insistente pergunta “se a eleição fosse hoje” admitem que podem mudar até o dia do pleito.

Portanto, nada substitui a boa análise política. Após a facada em Bolsonaro, a grande mídia quis criar uma comoção. Analistas sérios estimaram que o impacto seria de 4 a 5 pontos percentuais, e que depois se dissiparia. Os fatos comprovaram. Para quem chegou a sonhar com uma vitória no primeiro turno, crescer pouco acima da margem de erro foi um banho de água fria.

Agora, tenta-se criar um clima de disputa pelo segundo lugar, já que o primeiro estaria definido. Menos. O voto útil ainda vai mudar muita coisa. Certezas de hoje, que interessam a alguns grupos, são mera especulação. O jogo está aberto.

JC Cardoso, de Beijing

Global

Xangai: fala inglês como no Ocidente; tem café como no Ocidente; tem internet como no Ocidente.

 

Paralelos

Se a China fosse o Brasil, Xangai seria São Paulo; Rio, Nanquim; e Brasília seria Beijing.

 

Vítima

Na Torre de Xangai, uma jovem oriental, toda estilosa, de chapéu e muito bem-arrumada, vestia uma camiseta com a figura de prisioneiros em um campo de concentração durante a II Guerra. Embaixo, a palavra Awestruz (sic).

 

Irmãos

Sempre que falamos no excesso de pimenta da comida chinesa alguém pergunta se nos nossos países não é apimentada. Falo que no Brasil, via de regra, não. Exceto por um estado (prefiro usar província, fica mais fácil de eles entenderem), a Bahia. Até brinco com a história traduzida de “My king, hot or cold?”

No jantar de confraternização dos três grupos (África, Ásia e América Latina), um dos companheiros de mesa, da Libéria, falou que a comida no seu país é muito condimentada, que é o que eles gostam.

Lá para tantas surgiu o assunto de idioma, falei que no Brasil só se falava português. Acham estranho um país grande como o nosso só ter uma língua.

Bem… tem outras… perto das fronteiras pode-se falar espanhol, no Mato Grosso (o original), o sotaque em algumas regiões puxa para o espanhol e que há grupos étnicos que preservam seus idiomas, mas coisas isoladas, não chega a ser língua oficial nem mesmo de um estado, como vários indígenas no norte, grupos de origem alemã no Sul e a turma que fala iorubá na Bahia. Mas tudo isso localizado, a unidade da língua é o português.

– Oh! Fala-se iorubá no Brasil?

– Sim, fala-se na Bahia.

– Minha mãe é de origem iorubá. Eu e meus irmãos, quando crianças, até sabíamos falar alguma coisa. Então, tem muitos negros na Bahia?

– Sim. Tem. Muitos.

– Tem brother negro, tem comida apimentada, fala iorubá… Eu quero conhecer a Bahia!

 

Rápidas

A Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp), em parceira com a OAB, realiza dia 20, às 19h, debate sobre o tema “Jurisprudência defensiva: a quem interessa? A oposição da advocacia a essa prática dos tribunais”. O evento contará com a presença da ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon. Mais informações: www.aasp.org.br *** A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgará, às 11h desta segunda-feira, os resultados da 138ª Pesquisa CNT/MDA de Opinião *** Também nesta segunda, o tema +Segurança Jurídica+Investimentos será tratado pela ministra Grace Maria Fernandes Mendonça, Advogada-Geral da União (AGU). Saiba mais: www.fiesp.com.br/agenda/seminario-seguranca-juridica-investimentos/ *** Nesta terça-feira, a Fiesp divulga o Nível de Emprego de agosto.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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