A disputa presidencial no Chile entrou em uma nova fase após o primeiro turno, com movimentos estratégicos dos dois candidatos que avançaram: Jeannette Jara, da coalizão governista de esquerda Unidade para o Chile, e José Antonio Kast, do Partido Republicano, representante da extrema direita. Paralelamente, os resultados das eleições legislativas reforçaram a polarização no país.
Jara, que liderou o primeiro turno com 26,7% dos votos, acenou a candidatos que ficaram de fora da disputa final. Ela afirmou ter analisado propostas de outros concorrentes e declarou que “valorizo profundamente a proposta de reembolso do IVA sobre medicamentos, que está no programa de Franco Parisi”, candidato do Partido Popular, terceiro colocado. A ex-ministra também destacou a ideia de “redução do tempo de espera pelo tratamento do câncer”, mencionada por Evelyn Matthei, da coalizão Chile Grande y Unido, que anunciou apoio a Kast.
A candidata enviou ainda uma saudação a Matthei, que, segundo Jara, foi “vítima de uma campanha horrível, que se baseou na instalação de mentiras”. Em seu discurso pós-votação, Jara prometeu incorporar outras propostas de candidatos independentes, como a recuperação de 400 bairros vulneráveis, mencionada por Marco Enríquez-Ominami, e iniciativas culturais vinculadas ao professor Eduardo Artés.
Jara enfatizou que as contribuições fazem parte de um esforço para fortalecer a democracia: “A democracia em nosso país deve ser cuidada e valorizada”, disse. Ela também defendeu que ideias debatidas na campanha deveriam integrar o plano de governo de quem vencer em 14 de dezembro.
Do outro lado da disputa, Kast celebrou o avanço ao segundo turno com cerca de 24% dos votos e reforçou apelos à união entre direita e extrema direita após receber apoio público de Matthei e de Johannes Kaiser, do Partido Nacional Libertário. Para ele, “o que nos une aqui é o bem do Chile”. Kast defendeu a necessidade de superação da crise econômica e social e afirmou ter “certeza (de que) trabalhando em unidade […] podemos recuperar e reconstruir nosso país”. Em tom crítico ao atual governo, declarou que é preciso evitar a continuidade de “um governo muito ruim, talvez o pior governo que podemos lembrar na história democrática do Chile”.
Unidade para o Chile lidera eleições legislativas
O cenário no Congresso reforçou a posição da esquerda. A coalizão Unidade para o Chile foi a mais votada tanto para o Senado — nas eleições parciais — quanto para a Câmara dos Deputados, com 32,2% e 30,6% dos votos, respectivamente, garantindo 61 cadeiras. A eleição registrou quase 86% de comparecimento.
A aliança de extrema direita Cambio por Chile ficou em segundo lugar (25,4% no Senado e 23,0% na Câmara), impulsionada pelo Partido Republicano de Kast, que ampliou sua bancada de 15 para 42 deputados. A direita tradicional, agrupada em Chile Grande y Unido, também obteve desempenho expressivo, superando 21% na Câmara e 24% no Senado e conquistando 34 cadeiras.
Partidos médios e pequenos tiveram desempenho mais modesto: o Partido Popular registrou entre 10,5% e 12% nas votações, garantindo 14 assentos, enquanto a aliança dos Verdes, Regionalistas e Humanistas alcançou pouco menos de 7% para a Câmara, elegendo três representantes.
Os resultados legislativos refletem o quadro observado na disputa presidencial: avanço da extrema direita, desgaste da direita tradicional e fortalecimento de setores de esquerda vinculados à Frente Ampla, de Gabriel Boric, e ao Partido Comunista, de Jara, que superaram o bloco moderado do Socialismo Democrático.
Com informações de Europa Press
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