Estagnado

O orçamento executado pela Finep, principal órgão federal financiador de tecnologia, em 2004 ficou no mesmo patamar do ano anterior: R$ 630,8 milhões (em 2003 foram R$ 629 milhões). Se levada em consideração a inflação, houve queda real na execução do orçamento, jogando um balde de água gelada sobre quem esperava prioridade para pesquisa no governo petista. Pelo menos o valor dos desembolsos (os recursos efetivamente liberados para os projetos) aumentou: de R$ 512,9 milhões para R$ 606 milhões em 2004. Além disso, a Finep dobrou o número de projetos contratados: de 437 em 2003 para 957.

Segredo
As mudanças nos fundos de investimento determinadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto do ano passado estão sendo tratadas por alguns bancos com a mesma importância que o campeonato de futebol de mesa de terceira divisão. A BB DTVM convocou os cotistas de seus fundos para aprovar as alterações, em assembléia extraordinária, através de correspondência postada no Rio dia 5 de janeiro. A reunião está marcada para o próximo dia 13 – ou seja, mesmo que os Correios cumprissem a promessa de entregar uma carta simples em 24 horas, a convocação chegaria uma semana antes da realização da assembléia, exíguo tempo, ainda mais em época de férias, em que os tolos – quer dizer, os cotistas podem estar viajando. As mudanças impostas pela CVM podem significar mais imposto, menor rendimento e mais ou menos risco para o fundo, dependendo das decisões a serem tomadas.

Como sempre
As operações nos mercados, no raiar do ano, abastecidas por relatórios de agências de classificação de risco e seus congêneres do sistema financeiro mostram que 2005 começa como iniciou-se 2004: com esses quiromancistas na berlinda. No início do ano passado, as agências de rating contorciam-se para explicar por que, dois meses antes de a Parmalat ir à bancarrota, as principais agência de risco instavam seus clientes a comprarem papéis da empresa. A justificativa era a perspectiva de excelentes ganhos devido à salutar performance da multinacional do leite. Em 2005, os jogadores de búzios começam o ano recomendando a venda dos papéis das teles.

Corrente
A tragédia ocorrida no Sudeste asiático continua despertando a solidariedade em todo o mundo. A Essilor/Varilux, companhia francesa que fabrica lentes oftálmicas, doou US$ 1 milhão para as vítimas de Cingapura atingidas pelas ondas gigantes.

Ágil e hábil
Uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) deve diminuir o número de “barbeiros” nas ruas. Para obter a carteira de motorista (ou carta, como se diz às margens do Tietê) categoria B (para automóvel), as três tentativas de baliza não podem ultrapassar cinco minutos. Quem pretende tirar a primeira habilitação também terá, durante sua prova prática, que aturar dois examinadores, ao invés de um.

Tudo a ver
Com a faca entre os dentes, o secretário nacional de Audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, não deixou passar em branco os ataques à gestão do ministério e à Ancinav, em particular. Em artigo, o cineasta rechaçou a imagem de “bolcheviques loucos e fora do tempo” que querem impingir à equipe de Gilberto Gil e não se conteve com as críticas de que o projeto da Ancinav representaria a volta da censura e da ditadura: “Possivelmente aquela ditadura que levou quase toda a equipe do Ministério da Cultura à cadeia ou ao exílio e durante a qual o mencionado grupo (de comunicação) cresceu e prosperou”. Mais adiante, Senna executa: “O grupo que se opõe à Ancinav é poderoso e sempre ditou aos governos as leis que deveriam ser feitas.” E deixa a pergunta: “A liberdade de expressão dá direito a mentir?”

Inflação
Em 2004, o IGP-M subiu 12,41%, superando a variação de 2003 (8,71%). Ou seja, nem o real forte, política que já deu errado de 1994 a 1998, conseguiu segurar a alta dos preços dos produtos e serviços privatizados e de oligopólios como o siderúrgico.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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