Estaremos próximos da vingança de Gaia?

Se previsões se confirmarem, o cenário seria quase o de uma ficção científica, de tão extremo.

Segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC), divulgado semana passada, o aumento de temperatura do planeta e o respectivo aquecimento global são uma realidade cujo ritmo e intensidade vem sendo determinados com a contribuição humana. Estamos diante de um estado de emergência planetária e o futuro nos obriga a um presente mais solidário e responsável no trato com a natureza.

Não há mais possibilidade de negar a gravidade e o aumento de eventos climáticos e meteorológicos extremos como inundações bruscas, enchentes, deslizamentos, queimadas e incêndios florestais além de ondas intensas de frio e calor, fatores de riscos e desastres causados pela dinâmica da natureza e com impactos sobre a vida e saúde humanas.

A luta ecológica surge com maior força na década de 1960, e desde então percebeu-se na linha de alguns escritores que Gaia (Terra) é um organismo vivo e sistêmico, e o quanto as pessoas poderiam ser afetadas pela degradação do meio ambiente.

James Lovelock, um dos pensadores mais influentes do movimento ambientalista já revelava em seu livro A vingança de Gaia, em 2006, que se as previsões do terceiro relatório do IPCC de 2001, que traçou gráficos desde 1989 com base nos conhecimentos científicos então disponíveis, se confirmassem, o cenário seria quase o de uma ficção científica, de tão extremo. Todas as variáveis são levadas em conta para a elaboração do relatório, desde a superfície da terra, sua cobertura de neve e de florestas, até as superfícies do oceano e os organismos que nele vivem, como este armazena calor e dióxido de carbono e a dinâmica de suas trocas com a atmosfera.

A se confirmar o aumento do limite global de temperatura até 2030 e que vem ocorrendo de forma quase imperceptível, já podemos ter passado do ponto de virada. É possível que nossas florestas já venham se desestabilizando pela perda dos mecanismos de resfriamento, podendo vir a ser substituídas por desertos, acarretando uma mudança irreversível e mortal.

Este sexto relatório especial do IPCC, divulgado neste mês de agosto de 2021, teve a participação de 103 peritos de 52 países e aponta a urgente necessidade de combater o desmatamento, recuperar as florestas, mudar práticas agrícolas e integrar a sociedade para a redução das emissões dos Gases de Efeito Estufa (GEE).

Os custos de uma exploração irresponsável da Terra pelo homem certamente serão cobrados. Os eventos climáticos decorrentes do aquecimento global revelam que a Terra começa a reagir. Estaremos próximos da vingança de Gaia relatada por Lovelock? Como o mesmo advertiu, “precisamos tomar uma ação drástica agora para salvaguardar o futuro da vida humana. Gaia, a Terra viva e autorreguladora, se defenderá como sempre. É muita pretensão nossa achar que não”.

Ana Rita Albuquerque
Doutora em direito civil pela UERJ.

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