Estouro

O apocalipse pode estar próximo, pelo menos para dois economistas russos que participaram do governo daquele país entre 1994 e 1998. Em artigo traduzido pelo boletim do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIA), eles sustentam que a bolha especulativa da “nova economia” pode estourar após as eleições para presidente dos EUA, sendo novembro uma data bastante provável, com a publicação dos balanços do ano fiscal. Os economistas dizem que as empresas da “nova economia” se tornaram as principais clientes delas mesmas, produzindo uma gigantesca bolha cujo tamanho excede o da “economia real”. Segundo eles, não fosse a globalização e o papel dominante do dólar a economia norte-americana já teria entrado em crise. O que eles chamam de “prolongado período de aparente crescimento” resultou no decréscimo da poupança e aumento de consumo da população sustentado por crescentes dívidas. Esse processo só não teria provocado inflação, ainda, devido aos esforços do Federal Reserve, o BC de lá. Mas, segundo os dois ex-membros do governo russo, a inflação real já atingiu, a esta altura, o nível de lucratividade média da produção industrial. Um colapso do mercado de ações levaria, segundo o artigo, a um sumiço de US$ 10 trilhões e desencadeamento de processo inflacionário. E olhe que as previsões foram feitas antes das recentes altas no preço do petróleo.

Dureza
Da vice-presidente de Assuntos de Corporativos da Companhia Siderúrgica (CSN), Sílvia Bastos, reclamando dos salários dos altos funcionários públicos: “É muito difícil viver só com R$ 5 mil.” É a mesma executiva que torceu o nariz quando o governador Anthony Garotinho anunciou a disposição de elevar o salário mínimo no estado para R$ 200.

Vácuo
Ao inaugurar a 43ª Reunião Anual da União Internacional de Magistrados (UIM), em Cabo de Santo Agostinho (PE), o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Antonio Carlos Viana Santos, cobrou uma ação jurídica internacional para disciplinar a Internet. Discursando diante de cerca de 200 juízes de 51 países, Santos, alertou sobre os riscos da eliminação de fronteiras: “A globalização econômica, agora, irreversível, que não traga o confronto entre Norte e Sul, como já tivemos a contenda do Leste contra o Oeste, até poucos anos atrás”, afirmou.

Ubiqüidade
A agenda do ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, divulgada ontem na edição eletrônica do informativo da Associação Brasileira de ONG (Abong) “De olho em Brasília”, anunciava que ele se encontrava na Europa, onde permaneceria até dia 30, divulgando “a política de reforma agrária e agricultura familiar do governo brasileiro”. No mesmo dia, Jugmann reunia a imprensa em Brasília para atacar o MST e tentar justificar o não cumprimento das promessas feitas pelo governo ao movimento. Editada pela Abong, a publicação recebe informações da AYK Consultores sobre as agendas do Executivo e do Congresso Nacional.

Ilha
A Associação Cultural José Marti e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) homenageiam hoje, às 18h, na sede da ABI, o embaixador plenipotenciário de Cuba no Brasil, Jorge Lezcano Pérez. Pérez vai realizar a palestra sobre “Cuba. Apesar do bloqueio”.

Piora
Leitor assíduo dessa coluna, um psicanalista ligou preocupado com o agravamento da – digamos – confusão mental do presidente FH. O especialista, que já diagnosticou em outras ocasiões o problema de transferência de FH, justificou sua preocupação com dois fatos da semana passada. Primeiro, FH, após radicalizar com o MST e enviar o Exército para proteger os bens de seus filhos, resolveu dizer que era Itamar Franco quem estava tendo uma recaída ditatorial. Em seguida, em evento no Rio, disse que representa o “novo nacionalismo” – isso após assinar os contratos de entrega das reservas petrolíferas a empresas transnacionais. Realmente, o estado de FH inspira cuidados urgentes.

Risco
Será que o lançamento, pela Microsoft, da versão Millennium do Windows no parque de diversões no Hopi Hari – famoso por suas montanhas russas – tem alguma relação com os sustos que os usários vão tomar ao usar o software?

Estocados
Os estoques de café nos países consumidores atingiu, no final de agosto, o maior nível em sete anos, segundo levantamento feito pela exportadora Tristão publicado pelo jornal Coffee Business. A maior parte do aumento ocorreu nos Estados Unidos, que já concentram 6,2 milhões das 17,4 milhões de sacas em estoque. Segundo a publicação, esses dados indicam que a cafeicultura vive um momento em que a produção supera a demanda e “o resultado disso é o aumento dos estoques e a queda nos preços.” O fim da safra dos concorrentes do Brasil, agora em setembro, pode reverter esse processo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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