Estrangulamento

A informação, divulgada pelo Banco Central, de que o déficit em transações correntes do país, em relação ao PIB, recuou ano passado para 4,2% do PIB, contra  4,73%, em 1999, deve ser examinada com lupa especial. Em primeiro lugar, porque o déficit em termos absolutos, de US$ 24,6 bilhões, equivale a pouco mais de 80% dos US$ 30,6 bilhões de investimentos diretos que ingressaram no país, ano passado. Esses números põem em evidência que, além de o governo insistir em recorrer a esse frágil e perigoso caminho para financiar as contas externas do país, a torneira está cada vez mais próxima de secar.
Além das obrigações geradas por esse ingresso, via remessa de lucros, royalties etc, a dilapidação de quase dois terços do patrimônio público em privatizações na bacia das almas deixa cada vez menos ativos a serem ofertados para fazer caixa.
Acrescente-se a esse quadro a dificuldade de a balança comercial deslanchar, devido à estrutura dependente da economia, aprofundada nos anos 90, e tem-se uma situação de estrangulamento crescente do balanço de pagamento. Diante desse cenário, no entanto, o governo adota a postura do avestruz, recusando-se a debater seriamente uma política industrial para o país que reduza sua dependências das importações e a adoção de uma política comercial menos dogmática e mais sintonizada com os interesses nacionais. Em outras palavras, está na hora de o tucanato ter a cabeça menos Davos e mais Porto Alegre.

Fenda
Certamente, não se deve apenas aos limitados conhecimentos de política internacional do presidente George Bush a ausência de qualquer representante do alto escalão do governo norte-americano em Davos. Apesar da sua proposta de redução de impostos beneficiar, principalmente, as famílias com renda anual superior a US$ 48 mil, Bush tem mostrado contradições, ainda bastante tímidas, ressalve-se, com a ilusão virtual que sustentou o
crescimento dos EUA durante as duas administrações de Bill Clinton.

Com censura
A TV Educativa da Bahia se recusou, esta semana, a exibir a entrevista com o jornalista João Carlos Teixeira Gomes, que lançou há duas semanas o livro Memórias das trevas – uma devassa na vida de Antônio Carlos Magalhães. No lugar da entrevista, produzida pela TV Cultura de São Paulo, a emissora veiculou reportagem gravada sobre problemas fundiários na região Norte.

Portfólio
Ao admitir apoiar a proposta de Bush de reduzir impostos, o presidente do Federal Reserve (Fed), Alan Greenspan, revela, apesar da ressalva de que a política monetária é mais eficiente que a fiscal para sair de recessões, de que já não tão seguro de que a redução dos juros seja suficiente para reativar a economia norte-americana.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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