Estranho no ninho

Ele está sendo chamado de Bernie Sanders francês; entre suas referências também está o ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis. O certo é que o candidato do Partido Socialista ao Governo da França, o bretão Benoît Hamon, é mais uma voz estranha ao “consenso” tão desejado pelo mercado. Ao derrotar o favorito da direita socialista, Manuel Valls, Hamon – a quem as pesquisas atribuem cerca de 15% das preferências – mexe com o quadro eleitoral. Junte-se a isso o viés de queda do preferido pelo mercado, o candidato de centro-direita François Fillon – abatido pelas denúncias de que mantinha sua esposa como funcionária fantasma – e tem-se uma perspectiva de campanha, no mínimo, interessante.

Hamon já sofre acusações de ter propostas “populistas”. Entre elas, buscar o pleno emprego, cobrar impostos sobre robôs e criar um rendimento universal de 750 euros para todos os franceses maiores de idade. Para deixar bem claro que sua candidatura é de esquerda, vai procurar em primeiro lugar Yannick Jadot, candidato presidencial dos Verdes, e Jean-Luc Mélenchon, do Partido de Esquerda.

O movimento na França vem se juntar ao relativo sucesso do Bloco de Esquerda à frente do governo português. Sem dúvida, a fórmula dos “negócios como sempre” ou “mais do mesmo” não consegue dar as respostas que o eleitorado pede. O pessoal de Davos deve estar roendo as unhas.

Quebra-quebra

As autoridades brasileiras não sabem mais investigar de outra maneira que não quebrando o sigilo de conversas feitas por aplicativos como WhatsApp, alerta o advogado criminalista Leonardo Sica, ex-presidente da Associação dos Advogados de São Paulo, em entrevista ao site Conjur.

Quebrar sigilo de comunicação em investigações virou fetiche das autoridades brasileiras. Eles escolhem esse meio, muitas vezes, sem esgotar outros”, diz Sica. Ele garante que o Brasil é o país ocidental com maior número de solicitações de quebra de sigilo em relação aos aplicativos de mensagens.

Contraindicação

Matéria veiculada neste domingo no Fantástico, da TV Globo, sobre qualidade dos remédios genéricos, levantou dúvidas sobre a quem interessava. Quem assistiu, teve certeza que atendia aos interesses dos laboratórios em vender os produtos de referência, muito mais caros.

Tanto assim que a Prógenéricos distribuiu nota citando pesquisa sobre a opção na hora da compra: 37% dos consumidores apontou que adquiriram medicamentos genéricos, outros 32% comprou os de marcas, e 31% adquiriu uma mescla dos dois tipos.

A matéria do programa de variedades consistiu em comprar uma quantidade de caixas de três tipos de genéricos e levar, juntamente com os respectivos remédios de referência, para teste em um laboratório especializado.

Mas o Fantástico não divulgou o resultado dos testes com os medicamentos de marca. Independentemente se estavam dentro ou não dos padrões, a não divulgação reforça, de forma subliminar, que eles são confiáveis, enquanto os genéricos são duvidosos.

Além disso, a Globo não realizou o principal teste, o da bioequivalência. O programa tentou se justificar afirmando que seria necessário usar voluntários humanos e, alegando vagas razões éticas, preferiu não realizá-lo. Sobrou apenas a sombra da dúvida.

Na Europa, cerca de 70% dos remédios vendidos são genéricos; nos EUA, 75%; no Canadá, 90%. No Brasil, onde podem custar até um quarto do preço do medicamento de marca, pouco mais de 30%.

Rápidas

O prefeito de São Paulo, João Doria, vai participar de encontro com a diretoria do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon-SP) nesta terça-feira, na sede do sindicato. Ele vai detalhar o projeto Espaço Vida, que pretende revitalizar os 83 centros de acolhida aos moradores de rua de São Paulo *** Do Sensacionalista: “Doria se veste de prefeito e não é reconhecido nas ruas” *** O Carioca Shopping receberá neste sábado a primeira edição do ano da Feira de Adoção de Animais do Projeto Entre Pegadas *** A Marinha oferece 1.240 vagas no Concurso Público de Admissão às Escolas de Aprendizes-Marinheiros. Candidatos devem ser do sexo masculino, solteiros, com 18 completos e menos de 22 anos no dia 1º de janeiro de 2018 e com o ensino médio completo. As inscrições estarão abertas até 6 de março, no site www.ingressonamarinha.mar.mil.br

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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