Estranhos critérios

Ao retirar das regras da próxima rodada de licitações de áreas de exploração e produção de petróleo a exigência de conteúdo nacional mínimo entre os itens classificatórios, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai causar grandes prejuízos para a indústria, critica o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

Desfecho imprevisível
Análise do banco suíço CSFB diz que a saída de José Dirceu da Casa Civil será bem recebida pelo mercado financeiro, que aposta no fortalecimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Porém, antes mesmo de saber da nomeação de Dilma Rousseff, a instituição admitia que nem tudo são flores para os que estão na ponta mais lucrativa do governo Lula. Entre os desdobramentos possíveis, os analistas do banco citavam: o PT se desloca para a esquerda, seus principais líderes defendem mudanças, sobretudo na política econômica; a coordenação política do governo se enfraquece; a construção de coalizão em torno de Lula para as eleições de 2006 se torna mais difícil; e a aprovação de medidas de interesse do governo no Congresso se torna mais improvável.
“Entendemos que a atual crise política não terá desfecho rápido. Além de longa, é provável que o poder de estrago desta crise continue significativo, particularmente devido ao forte interesse da sociedade na apuração dos fatos, o que tende a motivar a mídia a manter em destaque assuntos negativos em relação ao governo”, afirmam os analistas políticos do CSFB.

Sem “eliticídio”
Do economista Paulo Nogueira Batista Jr. ironizando a tese da “conspiração da elite”, acionada por setores do PT para constranger as investigações sobre denúncias de corrupção no governo Lula: “O principal programa de distribuição de renda do governo é a política de juros do Banco Central, que transfere para os credores do Estado grande parte do que é arrecadado por meio de impostos. Ora, “elite conservadora” que se preza não rasga dinheiro nem denuncia políticas econômicas concentradoras de renda.”

Olímpico
O discurso do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, no qual busca confinar política e economia em fronteiras não-comunicantes e tão distantes quanto Júpiter e a Terra, não representa apenas um saudosismo deslocado das concepções classistas. Mais grave é a omissão sobre a razão da necessidade de obter apoios – à base de propinas ou não – de parlamentares para propostas impopulares: a política econômica.

Gaúcho
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, é o convidado do 2º Fórum dos Governadores organizado pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB-Rio). O evento será no próximo dia 13. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, abriu o fórum, em junho.

Crítica interna
“O reajuste prometido por Lula de 0,1% não é uma “política”, mas um desrespeito com os trabalhadores responsáveis pelos serviços nas áreas da reforma agrária, indigenista, de saúde, de cultura, de agricultura, entre outras.” A crítica é do Sindicato de Trabalhadores do Serviço Público Federal do Rio de Janeiro (Sintrasef/RJ), filiado à CUT, mas ligado à ala esquerda. Os servidores reclamam que há dez anos os servidores estão sem reajuste salarial, acumulando perdas superiores a 59%. “A política econômica adotada pelo governo é a responsável por isso. Produz um imenso superávit primário para garantir o pagamento da dívida brasileira, em detrimento dos investimentos nas políticas sociais e em salários dignos”, conclui o sindicato.

Esquizofrenia
Afinal, qual vai ser a tática do governo para enfrentar a crise? Tentar reeditar o discurso combativo que levou o PT ao poder ou, aproveitar a perplexidade dos seus militantes e apoiadores, para aprofundar as políticas que demandam a criação de incentivos pouco ortodoxos para obter votos de deputados?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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