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terça-feira, janeiro 19, 2021

Estrela

Responsável pela liminar que ergueu a auto-estima dos brasileiros, o juiz Julier Sebastião da Silva era filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) até 1994, quando saiu para assumir o cargo no Judiciário. Antes, trabalhara para a Comissão da Pastoral da Terra (CPT).

Destino
Esta coluna, como afirmado em outras ocasiões, acredita em Papai Noel, no Coelho da Páscoa e até em duendes. Mas não engole a notícia de que um avião com mais de 200 norte-americanos que gozariam de uma viagem-prêmio no Brasil cancelou o vôo de uma hora para outra somente porque os turistas teriam que “tocar piano”.

Mito
Um mito na questão da identificação dos norte-americanos é que o processo leva sete horas no Brasil contra apenas alguns segundos nos aeroportos dos EUA. Nem no tempo do lambe-lambe a Polícia Federal levaria tal eternidade para fotografar e tirar a digital de alguém. É que os opositores da medida começam a contar desde o momento do desembarque e contabilizam o tempo máximo, nos primeiros dias, quando a novidade levou a uma demora maior. Ontem, mais de 600 passageiros de um transatlântico conseguiram desembarcar sem problemas no Porto do Rio. Os norte-americanos demoraram apenas 15 minutos a mais que os demais turistas.

Chulé
Tampouco os EUA levam “alguns segundos” para humilhar os turistas de segunda classe. O tempo total – início da fila, revista pessoal, abertura das malas, fotografia e “tocar” o “piano digital” – vai a cerca de duas horas. Isso se um funcionário do Departamento de Imigração não cismar, gratuitamente, com a cara do “cucaracho”. Resta explicar por que a “moderna tecnologia” utilizada nos Estados Unidos obriga o turista a tirar o sapato para ser examinado.

Quatro
Por trás das críticas à decisão de fichar os visitantes norte-americanos – que abundam nos “jornalões” na proporção inversa ao apoio que a medida tem da população – está a incapacidade da maior parte da elite que pena no Brasil aceitar qualquer gesto de honra, nacionalismo ou auto-estima, ainda mais quando do outro lado está a Corte.

Cine off Alvorada
O número de demissões de professores no início deste ano foi tão elevado que o Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro resolveu passar filmes no auditório destinado às homologações das rescisões dos contratos de trabalho para os mestres passarem o tempo enquanto aguardam a vez de serem chamados. Ontem, por exemplo, a atração era O senhor dos anéis, mas, pelo número de demitidos, Todo mundo em pânico seria mais adequado.

Siameses
Se existem gestos que valem mais do que mil palavras, a reentrada pública de Lula, em 2004, não poderia ser mais emblemática. Ao ressurgir no Palácio do Itamary posando sorridente ao lado de FH, Lula, na síntese fotográfica dos jornais do dia seguinte, sinalizou a união PT/PSDB tão sonhada pelo “mercado”.

Queimando o filme
No entanto, como ensina a semiótica, a decodificação dos símbolos não é simétrica. Por isso, no eleitorado petista, a imagem de Lula colada ao impopular FH pegou muito mal. Um ligeiro trabalho de campo do Data Fatos&Comentários captou que o estrago foi mais forte no povão, que tem por FH adoração inversa a que este dedica à banca.

Ruim da cabeça
No fim de semana passado, durante o show com bambas do samba promovido pela Prefeitura do Rio, logo após a apresentação do veterano Guilherme de Brito, parceiro de Nelson Cavaquinho, a vereadora Leila do Flamengo (PFL) achou por bem pegar carona no espetáculo e deitou falação. Foi saudada por um festival de vaias do público. Apelou para o nome do prefeito César Maia e as vaias aumentaram. Constrangida, a vereadora encurtou o discurso e deixou o palco para os sambistas.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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