Estudo aponta alto índice de escravos na indústria têxtil asiática

Internacional / 11:16 - 13 de jun de 2016

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Cerca de 2/3 da população total da Ásia são escravos modernos, segundo um novo estudo da organização não governamental australiana Walk Free Foundation. O levantamento aponta o dedo para países como Bangladesh, Uzbequistão, Paquistão, Índia e China. O Índice Mundial de Escravatura de 2016 ainda concluiu que a Ásia, a região mais populosa do mundo, ficou no topo dos rankings de escravatura moderna. Esta região fornece mão de obra barata para a fase de produção das cadeias mundiais de aprovisionamento e para grandes indústrias, especialmente as de vestuário e de alimentação. O Uzbequistão, com o trabalho forçado nos campos de algodão, obteve a segunda pior classificação, logo após a Coreia do Norte. Embora tenham sido dados alguns passos para resolver a questão do trabalho forçado na indústria de algodão do Uzbequistão, o governo do país continua a submeter os seus cidadãos a trabalho forçado na colheita de algodão anualmente, apontam os autores do Índice Mundial de Escravatura. Em 2016, o Camboja registou a terceira maior taxa de prevalência de escravatura moderna. O estudo também concluiu que cerca de 18,3 milhões de pessoas estão em alguma forma de escravatura moderna na Índia, mas os autores realçam que têm sido feitos esforços pelo governo local para reverter este cenário. "Não podemos continuar a ver o fim da escravatura moderna isolada de outras questões", indicam os autores do estudo. A seguir, um trecho importante do texto divulgado pela organização australiana: "Em tempos de guerra e movimentações em massa, o risco acrescido de abusos tipo escravatura devem ser ponderados nas respostas de emergência. Em países que albergam trabalhadores migrantes, as empresas e os governos têm de se focar em assegurar que os trabalhadores não só têm direitos mas que também têm acesso a eles. Qualquer sistema, prática ou crença que resulte em que certas partes da sociedade, sejam mulheres, pessoas com deficiência ou grupos étnicos, não tenham acesso às necessidades da vida – alimentação, abrigo, água, cuidados de saúde básicos e capacidade para ganhar um rendimento – tem de ser desafiado. Essa é a responsabilidade dos governos, do setor privado, da sociedade civil e dos consumidores". De acordo com a publicação, os governos que têm dado mais passos para responder à escravatura moderna são essencialmente países com PIB elevado: Holanda, EUA, Reino Unido, Suécia, Austrália, Portugal, Croácia, Espanha, Bélgica e Noruega. Com informações do site Portugal Têxtil

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