Estudo quer identificar empresas aptas a atuar na área da internet das coisas

A elaboração de um plano de ação que sirva de base para o mapeamento de oportunidades e para a criação de políticas públicas no âmbito da chamada internet das coisas (IoT, do nome em inglês) é o objetivo de estudo técnico que será selecionado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). A internet das coisas se refere à conexão de objetos usados no dia a dia à rede mundial de computadores e entre si, como eletrodomésticos, smartphones, televisores e computadores.
O Bndes promove amanhã, no escritório de São Paulo, sessão de esclarecimentos da chamada pública, feita com o objetivo de contratar instituições e empresas interessadas na elaboração do estudo. A participação deverá ser confirmada pelo e-mail [email protected]. As propostas deverão ser entregues até o dia 9 de maio. A ideia é iniciar o estudo com a empresa contratada em agosto, de modo que seja entregue um plano de ação para cinco anos (2017-2022).
A proposta vencedora receberá financiamento do Bndes, constituído com recursos do Fundo de Estruturação de Projetos (FEP) do banco.
– A empresa tem que construir uma proposta de estudo robusto que atenda ao escopo traçado – afirmou a engenheira Maria Luiza Carneiro da Cunha, do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação (Defic) do Bndes.
O financiamento será flexível e será adequado à melhor proposta. No caso da internet das coisas, o propósito é a criação de políticas nos diferentes segmentos da tecnologia, desde políticas de financiamento até leis.
– Tudo que puder ser feito no âmbito público, para estimular no país essas tecnologias – acrescentou.
De acordo com estimativa da consultoria McKinsey, publicada no ano passado, a internet das coisas deverá gerar em 2025, em nível global, receitas entre US$ 3,9 trilhões e US$ 11,1 trilhões, o que contribuirá com até 11% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Outra consultoria citada pelo Bndes, a BI Intelligence, prevê que o número de dispositivos conectados à internet deverá subir de 10 bilhões, em 2015, para 34 bilhões, até 2020, o que significará uma média de mais de quatro dispositivos por pessoa.
Maria Luiza disse que o Bndes já apoia atualmente, em suas linhas, empresas que estejam desenvolvendo tecnologias de internet das coisas, em setores diversos. Para ela, há carência de maior articulação estratégica para acelerar a internet das coisas no Brasil. Segundo a engenheira, é preciso identificar os setores em que o país tem maior potencial de criar valor com a internet das coisas. É esse diagnóstico que o estudo técnico tentará revelar.
Ao longo de todo o estudo, o Bndes vai trabalhar em parceria com os ministérios das Comunicações, da Ciência, Tecnologia e Inovação e do de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além de entidades privadas do setor de tecnologia da informação e comunicação. Maria Luiza esclareceu que não se trata de um estudo do banco, mas de toda a sociedade.
– Nosso desafio, como coordenador, é fazer com que tenha o máximo de envolvidos, principalmente aqueles que, depois, vão ter que tomar ações com base no resultado dos estudos.
Dados da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) indicam a relevância do mercado de bens de tecnologia da informação e comunicação, no Brasil, em termos mundiais. O movimento registrado em 2014 atingiu US$ 158 bilhões, o que levou o país a ocupar a quinta posição no ranking internacional. O setor de TIC nacional representa em torno de 9,1% do PIB.

Agência Brasil

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