Esvaziamento

Com um discurso errático, que variou da boa sacada “O Banco Central não é a Santa Sé” para o fim de campanha melancólico, mendigando apoio a um papa, cuja omissão em relação aos casos de pedofilia na igreja lhe custam até ameaça de prisão em países da Europa, José Serra saiu bem menor do que entrou nas eleições. No entanto, está longe de ser o principal derrotado do processo eleitoral. Essa posição cabe, com sobras, ao cartel da mídia – Globo, Veja, Estadão e Folha S. Paulo – que, na ausência de uma linha definida do tucano, pautou e determinou sua agenda, ideologizando o noticiário, inclusive, forçando a mão na manchetes. O revés sofrido mostra que a crescente perda de interlocução com os setores que não sejam explicitamente alinhados com suas linhas editoriais é acompanhada por um crescente esvaziamento da sua capacidade de ressignificar o imaginário dos brasileiros.

Jacaré
A ação em bloco do cartel da mídia, atuando como partido político durante o processo eleitoral também deve servir de alerta ao PT sobre a política de continuar cevando orgãos de comunicação com publicidade desproporcional a seu peso social. Como mostram as relações do presidente Barack Obama com a Fox e de outros governo na América Latina, quem alimenta jacaré corre, sempre, o sério risco de ser devorado por ele. A hora é de incentivar um maior pluralismo nas formas de comunicação e expressão social

Deu samba
Com um samba de autoria de Tantinho da Mangueira e com a participação luxuosa na gravação de feras como Nelson Sargento, Wilson Moreira, Monarco e Agrião, um grupo de sambistas lançou um manifesto musicado em apoio à candidatura de Dilma, na véspera do segundo turno. Intitulado Partido Alto da Bolinha de Papel, o samba, de ritmo contagiante e para botar qualquer marqueteiro no bolso, ironiza um dos maiores “micos” da campanha, a tentativa patética de José Serra apropriar-se do episódio para pousar de vítima “da violência petista”. Com o refrão “Deixa de ser enganador, bolinha de papel não fere nem causa dor”, o samba – pode ser acessado http://www.youtube.com/watch?v=0v2GcMe98YE – tem tudo para virar um dos must do Carnaval de 2011.

A Cuca vai pegar
José Mojica Marins, o Zé do Caixão (nenhuma relação com a derrota de Zé Serra) vai lançar O Livro Horripilante de Zé do Caixão, com ilustrações de Laurent Cardon, para crianças entre sete e 12 anos. Com a ameaça de livros do Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato, serem banidos das escolas em nome do “politicamente correto”, será que o personagem de terror tem chances de ocupar o espaço?

Expansão
A Casa da Empada participa do Rio Franchising Business com planos de atrair empreendedores fluminenses para novas franquias e cumprir o planejamento estratégico para 2011, que prevê a inauguração de sete pontos de venda no Rio de Janeiro.

Macro
Desvendar os mistérios da área para quem estuda para concursos públicos é o objetivo do livro Macroeconomia, de Marcello Bolzan. A Editora Ferreira sorteará dois exemplares da obra. A promoção vai até o dia 7 próximo, no site www.editoraferreira.com.br

“Vox populi”
Dois eleitores conversavam na manhã de domingo. O mais velho, cidadão de classe média, disse para o mais novo, vendedor de uma farmácia: “Votei no Serra, para o Brasil voltar a ser o que era.” De imediato, o rapaz retrucou: “Na época do Fernando Henrique Cardoso? Naquele tempo eu era pobre, não tinha direito a nada, não tinha dinheiro para nada.”

Coisa de Loco
Pelo menos na Zona Sul do Rio, os acontecimentos que antecederam o segundo turno colocaram Serra em terceiro lugar entre os que, domingo, usando buttons e camisas, explicitavam seu apoio aos candidatos ou a outras causas,. Em primeiro lugar, disparado, via-se os que exibiam apoio a Dilma. Atrás da petista, mas à frente do tucano, vinham os torcedores do Botafogo, que, eufóricos com a vitória, na véspera, sobre o Galo, vestiam camisas do time carioca em maior quantidade do que as dos apoiadores do tucano.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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