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Nem quem conseguiu chegar à baía de Porto Seguro ficou satisfeito com o que viu. Quem encerrou o espetáculo (o de arte, não o de truculência) que custou US$ 953 mil ao contribuinte foi Andrea Bocelli, tenor pop italiano, cantando Con te partiro. A ausência de ídolos da música brasileira no dia em que o país comemorava 500 anos de descobrimento foi mais uma das queixas dos espectadores. “Faltou brasilidade, emoção verde-amarela. Por que é a música desse cantor italiano que está tocando?”, questionou Gessina Giuliano, de Santa Catarina. Esperar o quê, para um show organizado por um governo servil ao estrangeiro?
Dois brasis
Os vips que viram, com exclusividade, o show do dia 22 também tiveram problemas. O público que ficou de fora formou uma espécie de “corredor polonês”. Quando os convidados em traje a rigor passavam, ouviam toda espécie de xingamentos. Cerca de 200 policiais militares tiveram de se esforçar para liberar a entrada dos convidados. Depois, na hora da queima de fogos (25 minutos), o vento jogou toda a fumaça nos eleitos do tucanato, que, envoltos por cheiro de pólvora, não puderam apreciar o espetáculo. No segundo dia – quando a patuléia teve acesso – não houve foguetório. Só uma hora e meia depois do final do espetáculo foram disparados alguns petardos – talvez por algum vascaíno comemorando antecipadamente o título da Taça Guanabara.

Tratamento
Da direção do MST ironizando o furor repressivo contra os manifestantes do movimento Brasil são Outros 500: “Certamente, se toda a população de Porto Seguro fosse composta de banqueiros e executivos das empresas estatais privatizadas, a visita de FH não exigiria a presença de todo esse aparato policial e o presidente se sentiria mais seguro. O problema das comemorações oficiais dos 500 anos é que aqui há um povo que teima em ser brasileiro.”
Pé frio
Não escapando a sua sina, FH enfrentou mais uma vez mau tempo – a coluna se refere à chuva – nas suas viagens ao litoral.

Paz em debate
A Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB) promove hoje, às 12h30m, no Clube Homs, em São Paulo, o debate “O processo de paz – desafio para o próximo milênio”. Entre os debatedores, estarão Musa Amer Salim Odeh, embaixador da Palestina, e os professores Riad Malki e Manuel Hassassian, da cidade de Belém e especialistas em questões palestinas. Os mesmos debatedores participarão na USP da palestra “A construção da paz – uma perspectiva global sobre o conflito Israel-Palestina”.

Conceito
Vai de mal a pior o conceito da área jurídica da Caixa Econômica Federal nos tribunais. Segundo a revista eletrônica Consultor Jurídico, durante sessão do Superior Tribunal de Justiça, o ministro Carlos Alberto Direito queixou-se que “não se consegue encontrar sequer um recurso da Caixa que tenha fundamentação adequada”. “Às vezes até tem direito, mas perde por isso”, acrescentou o ministro. Diante dessa situação, o advogado-geral da União, Gilmar Mendes, resolveu centralizar as ações em seu gabinete.

Casa Grande
A ferocidade da repressão promovida contra os manifestantes de Porto Seguro revela, além do caráter truculento do tucanato, acionado sempre que a ditadura do pensamento único não dá conta de impedir o contraditório, didático exemplo antropológico. Quinhentos anos depois de o colonizador desembarcar por aqui, os representantes dos interesses da metrópole, agora com novo sotaque, continuam a açoitar todos os que ousam não se submeter a seus ditames.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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