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domingo, janeiro 17, 2021

Eu sozinho

Se a unanimidade é burra, como poderia ser classificado o único setor – entre 40 segmentos empresariais reunidos quarta-feira à noite com membros do Governo Federal no Grupo de Avanço da Competitividade (GAC) – a ser contra a cobrança de IOF sobre o capital especulativo estrangeiro? Respostas para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Quem sabe em inglês
O economista José Luís Oreiro, da UnB, comenta que ao contrário “da nossa pseudo-ortodoxia tupiniquim, que tem complexo de vira-lata, o Financial Times elogiou a decisão do governo brasileiro de introduzir um imposto sobre a entrada de capital estrangeiro no Brasil para aplicações em renda fixa e nas bolsas”. Na matéria, a decisão é classificada como sensata face ao quadro de valorização do real, elevados fluxos de capitais para os países emergentes e de instabilidade nos mercados financeiros mundiais. Para Oreiro, no entanto, “está claro que apenas a introdução do IOF não irá resolver o quadro de câmbio sobrevalorizado que temos no Brasil.”

Dinossauros
A concessão do Prêmio Nobel de Economia 2009 a Oliver Williamson e Elinor Ostrom é fruto da orientação excessivamente ortodoxa do Comitê de Economia que analisa os candidatos, afirmou, em entrevista à rádio France International, o economista Maurício Dias David. “Conheço bem porque estudei na Stockholm School of Economics, de onde saem boa parte dos integrantes do comitê”, lembrou David, que integra o Conselho Editorial do MM.
Ele acrescentou que há insatisfação de muitos economistas com o fato de que o pensamento mais inovador em economia tem sido deixado de lado pelos suecos. “Se é satisfatório que uma mulher pela primeira vez tenha sido premiada, isto não apaga o fato de que nunca se tenha premiado Joan Robinson, a grande economista inglesa”, lamentou.

Novo paradigma
“Nós, dos países latino-americanos, não perdoamos o fato de que Raul Prebisch e Celso Furtado jamais tenham sido considerados seriamente para o prêmio. E o inusitado é que, em plena crise dos paradigmas econômicos, economistas inovadores como Robert Schiller, Baumol ou Roubini, nos Estados Unidos, ou os franceses Pierre Salama, Robert Boyer, Aglietta, Chesnais ou Sachs – que anteciparam a atual crise – tenham sido preteridos pela escolha de economistas cuja contribuição ao entendimento dos grandes problemas econômicos é, na verdade, mais duvidosa e menos questionadora”, comentou Maurício Dias David.

Genérico
O prêmio de Economia é biônico: foi criado em 1968 pelo Banco Central da Suécia para uma duvidosa homenagem a Alfred Nobel. A fundação criada pelo cientista e empresário reconhece parcialmente a criação do BC sueco: no site oficial de Nobel, aparece apenas o “Prêmio de Economia”, em contraste com o “Prêmio Nobel de Física”, de “Nobel de Química” etc.

Formal
Pequenos empresários do Norte Fluminense poderão aprender a legalizar seus negócios neste sábado, quando será realizado, em Itaperuna, a palestra “Empreendedor individual: nunca foi tão fácil legalizar o seu negócio”, que será ministrada pela vice-presidente do Sescon-RJ, Márcia Tavares. O evento é uma realização do Instituto Avon em parceria com o Sebrae/RJ. Como proceder, quais os documentos necessários e as vantagens da iniciativa serão alguns dos temas abordados no encontro. Mais informações em www.sebraerj.com.br

O poder do zero
Depois de pouco mais de seis meses de espera pela feitura do diploma de Doutorado, um ex-aluno foi à Universidade Federal Fluminense (UFF) pegar o documento. Detalhista, reparou que faltava o 0 do dígito do número da sua identidade. Causada pelo preenchimento incompleto do requerimento, a falha passara despercebida ao funcionário responsável, apesar da xerox da carteira de identidade anexado à papelada. O pequeno erro, porém, poderia ser sanado em poucos segundos, o tempo para bater ao computador o 0 faltante. Apesar de as novas tecnologias seriam um must dos programas de pós da UFF, a funcionária do atendimento informou, constrangida, que a chefe do setor negara o apelo do ex-estudante para “ganhar um O” e lhe dissera que o diploma, corretamente impresso, só estaria pronto em… uma semana.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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