EUA dizem que Brasil se tornará maior produtor mundial de carne bovina em 2025

Números do Departamento de Agricultura dos EUA para carne bovina do Brasil são superiores aos estimados pela Conab.

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Gado, carne bovina
Gado (foto de Wenderson Araujo, Trilux, CNA, via ABr)

O Brasil se tornará o maior produtor mundial de carne bovina até o final deste ano, ultrapassando os EUA pela primeira vez, segundo dados recentes divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

De acordo com o relatório do USDA, a produção de carne bovina no Brasil atingirá 12,35 milhões de toneladas em 2025, representando uma taxa de crescimento anual de aproximadamente 4% e um volume cerca de 4,6% maior que o dos Estados Unidos, cuja produção foi estimada em 11,81 milhões de toneladas.

Com esse resultado, o Brasil não apenas mantém sua posição como o maior exportador mundial de carne bovina, mas também assume a liderança em produção, uma combinação que fortalece sua competitividade em um contexto de desaceleração projetada no comércio internacional de carne bovina.

No entanto, o número do USDA supera até mesmo a projeção mais recente para 2025 feita pelo governo brasileiro. No final de novembro, a Conab, estatal responsável pelo abastecimento, estimou que o Brasil produziria 11,38 milhões de toneladas de carne bovina neste ano.

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Em declarações à agência de notícias Xinhua, Mônica Lourenço, da consultoria especializada Trendagro, observou que o desempenho do Brasil surpreendeu o mercado.

“No início de 2025, muitos analistas previam uma queda na produção, mas o setor conseguiu expandir a oferta graças a melhorias na produtividade, principalmente devido ao aumento do peso médio da carcaça”, explicou.

Segundo dados do setor, o desempenho animal atingiu níveis recordes em setembro, quando o peso médio dos machos abatidos chegou a 303 quilos, impulsionado pelo maior uso de tecnologia na alimentação e no manejo do gado. Esse fator permitiu que a produção mensal ultrapassasse a marca de um milhão de toneladas pela primeira vez.

Para Lourenço, a estabilidade sanitária, a escala de produção e a competitividade de custos colocam o Brasil em uma posição privilegiada, mesmo em um cenário de possível redução das exportações mundiais em 2026.

A carne bovina é um dos 10 principais produtos exportados pelo Brasil para os EUA. Apesar do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump – reduzido em novembro – as exportações do produto, de janeiro a setembro de 2025, tiveram alta de 66,3% sobre igual período de 2024, de acordo com o Monitor do Comércio Brasil–EUA, da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), somando pouco mais de US$ 940 milhões.

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