EUA revisam para baixo o crescimento do último trimestre de 2025: apenas 0,1%

No terceiro trimestre do ano passado, economia do país tinha tido expansão trimestral de 1,1%

276
Pessoa conta notas de dólar
Dólar (foto de Marcello Casal Jr, ABr)

O Produto Interno Bruto dos EUA registrou um crescimento de 0,1% no quarto trimestre em relação aos três meses anteriores, de acordo com a terceira estimativa do Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio, que reduziu pela metade o ritmo de expansão da economia americana em relação ao previsto em meados de março.

É a segunda revisão para baixo do dado de atividade entre os meses de outubro e dezembro do ano passado, que em uma primeira estimativa no final de fevereiro havia sido de 0,4%, mas que foi reduzido para 0,2% em março.

Assim, em números anualizados, o crescimento do PIB dos EUA no quarto trimestre de 2025 foi reduzido para 0,5%, ante os 0,7% da estimativa de março, muito abaixo do crescimento de 1,4% divulgado na leitura preliminar do dado.

No terceiro trimestre de 2025, a economia norte-americana havia registrado uma expansão trimestral de 1,1% e de 4,4% em números anualizados.

Espaço Publicitáriocnseg

Por outro lado, apesar da revisão para baixo do dado de crescimento trimestral, o Escritório de Análise Econômica confirmou que o PIB real dos EUA aumentou 2,1% no conjunto de 2025, o que representa uma desaceleração substancial em relação à expansão de 2,8% em 2024 e o crescimento mais fraco do país desde 2020, quando a economia contraiu 2,1% em consequência da pandemia de Covid-19 e dos confinamentos.

Segundo a analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão, “a última revisão do PIB do quarto trimestre dos EUA mostrou um avanço de 0,5% e surpreendeu o mercado negativamente mais uma vez. A primeira divulgação do PIB apontava para um crescimento de 1,4%, já abaixo do consenso inicial, que era de 2,8%.”

“A queda em relação à revisão anterior foi influenciada pela redução nas despesas pessoais. Também tiveram ajustes no investimento fixo residencial e nos estoques privados. Após o indicador, a curva de juros de dois anos opera em queda, mesmo com as curvas mais longas em alta”, avalia.

Ela também lembra que o choque de oferta causado pelo avanço no preço do petróleo por conta da guerra deve ter um efeito baixista para atividade econômica dos EUA nos primeiros trimestres do ano, o que reforça a possibilidade de mais um corte nos juros esse ano. Por outro lado, o impacto sobre a inflação também deve ser avaliado pelo Fed.

Já para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, “a leitura final do PIB do quarto trimestre de 2025, período marcado pelo maior shutdown da história dos EUA, veio abaixo do previsto pelo mercado, registrando crescimento de 0,5% na atividade em relação ao mesmo período do ano anterior, frente às expectativas de 0,7%.”

“As prévias anteriores do dado já demonstravam os impactos do shutdown, com a primeira sinalizando crescimento de 1,4% no trimestre, enquanto a segunda já diminuiu fortemente, para 0,7%, patamar que o mercado previa que seria a final. Embora o fraco crescimento chame atenção, em especial se comparado aos trimestres anteriores em que a economia americana registrou crescimento na casa dos 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, é importante notar o caráter pontual do shutdown, com a diminuição dos gastos do governo diminuindo em cerca de 1% o PIB. Por outro lado, os dados do setor privado, em especial os resultados das companhias e os gastos do consumidor, seguem saudáveis”, diz.

Ainda de acordo com ela, “para o primeiro trimestre de 2026, o mercado espera uma reversão desse cenário de PIB mais fraco, impulsionado pelos altos investimentos em IA e por um crescimento estimado em 13% dos lucros das companhias do S&P 500. Estimativas do Fed de Atlanta apontam para um crescimento de 1,3% do PIB no primeiro trimestre deste ano, embora ainda extremamente preliminares.”

Com informações da Europa Press

Leia também:

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg