EUA: desemprego no mês passado veio acima do que o mercado esperava

Para especialista, 'dado de hoje é uma ameaça para o início da queda de juros no mês de setembro'

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Prédio do Federal Reserve (Foto: Liu Jie/Agência Xinhua)
Prédio do Federal Reserve (Foto: Liu Jie/Agência Xinhua)

O Departamento de Estatísticas do Trabalho (Bureau of Labor Statistics, em inglês) divulgou hoje pela manhã que, seguindo a tendência dos últimos meses, a taxa de desemprego nos EUA em maio voltou a subir marginalmente atingindo 4,0% (estava 3,9% em abril e 3,8% em março).

É a primeira vez que chega a esse patamar desde o início de 2022. Em maio de 2023 estava em 3,7%. Mais uma vez o número veio ligeiramente acima do consenso de mercado, que esperava manutenção. Por outro lado, diferente do mês passado, os dados de contratações (payroll) superaram as expectativas ao registrar a criação de 282 mil novas vagas (o consenso estava em 172 mil vagas – o resultado foi particularmente surpreendente após a divulgação dos números fracos de abertura de vagas – Jolts) na terça-feira passada, dia 28 de maio. O relatório do payroll destaca que os empregos continuam a crescer em diversos setores, puxados principalmente pelo segmento de saúde, setor público, lazer e hospitalidade, além de serviços técnicos e científicos. Notamos, entretanto, que os dados do payroll de abril e março foram revisados para baixo enquanto os salários mantiveram o ritmo de crescimento, registrando 4,1% em termos anuais.

“O relatório de emprego de maio contribuiu para manter o cenário de incertezas do que pode vir pela frente. De um lado, oferece um alívio para os temores de que uma deterioração mais importante da atividade econômica estaria em curso, temor que ganhou particular destaque após a divulgação dos números de vagas abertas – Jolts. Todavia, mantém o contexto de que a última milha de combate à inflação permanece duríssima de ser percorrida, principalmente com relação aos setores de serviços. No balanço, os mercados reagiram negativamente após a divulgação com os principais índices de ações no vermelho e os retornos dos títulos do tesouro de 10 anos subindo fortemente. A ansiedade para o comunicado que virá após a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) na próxima quarta-feira, dia 12 de junho, será máxima e cada palavra poderá impactar os preços e as expectativas. A única certeza é que a volatilidade continuará a comandar o jogo”, antecipa Danilo Igliori, professor de Economia da USP.

Já para Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital, “aA criação de vagas muito acima do esperado pelo mercado foi uma surpresa extremamente negativa do ponto de vista da política monetária americana. Com o mercado extremamente aquecido, o consumo é impactado e pressiona a inflação. Automaticamente dificulta o corte de juros por parte do Fed. O dado de hoje é uma ameaça para o início da queda de juros no mês de setembro”.

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“Os dados de payroll vieram acima do esperado, na verdade, bem acima do esperado. O mercado acreditava na criação de 180 mil vagas e veio 272 mil. Mostra que está muito forte o mercado de trabalho. Entretanto, existe a sazonalidade do verão, que abre muita vaga do setor de serviços mas, mesmo assim, é muito discrepante a diferença entre a expectativa e arealidade. Uma coisa que chamou a atenção também é que o salário subiu. A expectativa era 0,3% de alta no salário, veio 0,4%. Lembrando que o anterior era 0,2%. Isso mostra que o salário está subindo e está acompanhando o movimento da inflação. O único item discrepante é que os dados de desemprego subiram. Foi para 4% mas, mesmo assim, esse dado forte do payroll tira e anula de certa forma os dados que saíram de PIB, mostrando uma certa desaceleração. Mudou completamente a premissa em cima da questão de corte de juros nos EUA. Volta novamente a deixar o mercado estressado com a questão que não tem cenário para cortar juros nos EUA em setembro ainda. A economia americana continua forte. Vale lembrar que emprego é a base de tudo. Se a população está empregada, tem renda. E se tem renda tem consumo e inflação, consequentemente”, disse Jefferson Laatus, estrategista-chefe da Laatus.

Segundo André Colares, CEO da Smart House Investments, “a criação de vagas muito acima do esperado pelo mercado foi uma surpresa extremamente negativa do ponto de vista da política monetária americana. Com o mercado extremamente aquecido, o consumo é impactado e pressiona a inflação. Automaticamente dificulta o corte de juros por parte do Fed. O dado de hoje é uma ameaça para o início da queda de juros no mês de setembro”.

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