Evasão fiscal leva salário anual de 1 enfermeira a cada segundo

Países da OCDE lideram ranking de paraísos corporativos.

A cada segundo, o mundo perde o equivalente ao salário anual de uma enfermeira para um paraíso fiscal. Governos em todo o mundo perdem mais de US$ 427 bilhões em impostos todos os anos evasão fiscal intencional. A denúncia é da Tax Justice Network, que lançou semana passada o Corporate Tax Haven Index 2021.

Pelos cálculos da ONG, os países de baixa renda perdem o equivalente à metade de seus orçamentos de saúde pública todos os anos para esquemas que evitam pagamento de impostos. Dos US$ 427 bilhões, mais da metade, US$ 245 bilhões, é perdida diretamente devido ao abuso fiscal corporativo transnacional por corporações multinacionais.

A Tax Justice Network afirma que, sob pressão de gigantes corporativos e dos super-ricos, alguns governos programaram seus sistemas tributário e financeiro para servir como uma ferramenta com a qual as corporações multinacionais podem extrair riqueza e pagar menos impostos. “Isso alimenta a desigualdade, fomenta a corrupção e mina a democracia.”

O Corporate Tax Haven Index 2021 conclui que os países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, já definida como clube dos ricos e amigos dos ricos) são, em conjunto, responsáveis por 68% dos riscos de abuso fiscal corporativo do mundo. Os países da OCDE são diretamente responsáveis por 39% do abuso fiscal corporativo do mundo e suas dependências – especialmente ilhas do Reino Unido e Aruba, da Holanda – são responsáveis pelos demais 29%.

Esta semana, a OCDE tomou uma decisão inédita: diante do que crê ser um recuo no combate à corrupção brasileira, a Organização decidiu criar um grupo permanente de monitoramento sobre o assunto no Brasil.

Com base no Estado da Justiça Fiscal 2020 da Rede de Justiça Tributária, os países da OCDE e suas dependências custam ao mundo mais de US$ 166 bilhões em impostos corporativos perdidos todos os anos – o equivalente a perder mais de 26 milhões de salários anuais de enfermeiras por ano, ou deixar de empregar 50 enfermeiras a cada minuto.

Leia mais:

Coroa Britânica e seus paraísos fiscais

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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