Evasão

Cerca de 30% dos funcionários admitidos no último concurso para o IBGE já pediram desligamento do órgão. A principal causa é a decepção com os baixos salários. Os funcionários que permanecem estão esperançosos em que com a nomeação de Eduardo Nunes para a presidência do instituto a situação melhore. Como chefe do Departamento de Contas Nacionais, Nunes se pautou pela defesa da valorização do funcionalismo e pela melhora salarial.

Leituras
O conselho do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, de que os críticos da sua política econômica devem ler o programa de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, não deixa de ser um bom conselho. Afinal, revisitar o passado sempre foi questão-chave para entender o presente e influenciar o futuro. Como bom leitor, o ministro está ciente de que, pelo menos desde as escrituras, toda leitura está sujeita a interpretações.
Como a do ministro da Casa Civil, José Dirceu, por exemplo, que, em entrevista ao programa Roda Viva, poucos dias antes de assumir o cargo e ainda na presidência do PT, sintetizou a vitória eleitoral de Lula como o desfecho de uma luta de oito anos entre dois projetos distintos para o país. Indagado se arrependia-se de alguma crítica ao governo FH, Dirceu retrucou que, ressalvados os excessos naturais do embate político, não apenas não se arrependia de crítica alguma, como reafirmou que a insistência nas posições petistas resultou na vitória estrondosa de outubro.
A síntese feita por Dirceu, figura central no partido e na campanha, fornece argumento poderoso e recente para os que, dentro ou fora do PT, cobram a implementação do programa defendido pelo partido e criticam o quê enxergam como continuidade – com ou sem continuísmo – rejeitada pelas urnas. Se o programa lido por Palocci forneceu leitura diferente, o caminho mais indicado é o da explicitação do contraditório, abandonando interpretações dogmáticas e a tentativa de ladear o debate pela desqualificação dos outros contendores.
Ao qualificar de radicais seus oponentes, Palocci lhes fornece argumento extra. Afinal, ser radical é ir à raiz do problema, como ensinam o Aurélio e o Houaiss, leituras, que com certeza, também constam da biblioteca do ministro.

Singular
Petrobras de volta à área petroquímica é a proposta feita pelo vereador carioca Ricardo Maranhão (PSB) ao presidente da estatal, José Eduardo Dutra. Ex-engenheiro da empresa e conselheiro (eleito) da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), Maranhão lembra que a Petroquisa, antes do Programa Nacional de Desestatização, participava de 15 empreendimentos, associada a capitais privados, nacionais e estrangeiros. Hoje, detém parcelas inexpressivas do capital em poucos projetos, “deixando a Petrobras numa incômoda e singular posição, entre as grandes companhias petrolíferas mundiais: ela é uma das únicas, senão a única, que não tem um poderoso braço petroquímico”.

Fora do mercado
A dificuldade de conseguir emprego após uma certa idade tem levado os executivos a se tornar consultores independentes ou empresários. Pesquisa do Grupo Catho feita via Internet com cerca de 100 mil participantes fez um mapeamento do mercado de trabalho versus idade. Os executivos representam 20,2% dos pesquisados que têm até 24 anos. A participação atinge seu auge aos 33 anos, quando os executivos representam 39,6% do total desta faixa. O declínio ocorre mais acentuadamente a partir dos 45 anos. A partir dessa idade, mais de 30% estarão desempenhando outra atividade.

Desemprego
A pesquisa do Grupo Catho também mostrou a violência do desemprego. Uma em cada cinco pessoas que respondeu à pesquisa na idade economicamente ativa (acima de 24 anos) declarou-se desempregada. A taxa de desemprego, que se inicia em 20,79% na faixa etária de 24 a 26 anos, mantém-se acima de 20% quase todo o tempo, atingindo o ápice de 26,5% na faixa etária de 36 a 38 anos. Declina suavemente a partir dos 48 anos, quando os executivos e profissionais buscam alternativas de negócio próprio.

Migração
O roubo de cargas no Estado de São Paulo caiu 7,65% em 2002 na comparação com o ano anterior. Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), ano passado, foram registrados 2.450 casos, com média mensal de 204,17 roubos. A redução, no entanto, teve como corolário o aumento de roubos e seqüestros de executivos. Em função dessa mudança de “foco” dos marginais, o perfil dos clientes das empresas especializadas em rastreamento de  veículos também se modificou. Antes a grande maioria dos serviços era prestado para veículos de frota. Em 2002, porém, 45% foram para particulares, em sua maioria, executivos de empresas nacionais e multinacionais, que usam  carros importados, moram em regiões nobres da cidade de São  Paulo e têm filhos matriculados nas melhores escolas  particulares.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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